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Bets
Congresso em Foco
24/9/2026 8:52
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende acabar com as bets no Brasil e criticou a resistência de clubes de futebol à medida.
A declaração ocorreu nesta quarta-feira (23), durante o Cultura com Lula, ato com artistas e representantes do setor cultural na Fundição Progresso, na Lapa, no Centro do Rio.
"Essa não é uma guerra, é uma decisão. Nós vamos acabar com as bets."
Lula disse ter tomado conhecimento sobre o manifesto elaborado por clubes contra restrições às casas de apostas.
Segundo o presidente, que afirmou ainda não ter recebido o texto, os dirigentes argumentam que o fim das plataformas comprometeria o futebol brasileiro.
Ao rebater essa posição, o petista lembrou títulos conquistados por equipes brasileiras e pela seleção antes da presença das bets no país.
Também cobrou outras fontes de financiamento e mencionou o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como alternativa para os clubes.
"E os times que aprendam a virar times empresários."
Títulos sem bets
O presidente citou os títulos mundiais de Santos, Flamengo, Corinthians, Internacional, Grêmio e São Paulo para contestar a dependência financeira das casas de apostas.
Também mencionou as cinco conquistas da seleção brasileira em Copas do Mundo, em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
"E os times eram muito melhores do que agora", afirmou.
Durante a enumeração, Lula provocou Vasco e Palmeiras ao dizer que os dois clubes não haviam conquistado o título mundial citado por ele.
O presidente pediu aos dirigentes que reconsiderem a defesa das plataformas e argumentou que os torcedores já contribuem para o financiamento das equipes ao comprar ingressos e camisas.
"Eu acho uma insensatez. Se tiver algum dirigente de clube me ouvindo agora, pelo amor de Deus, reflita."
Na avaliação de Lula, o dinheiro usado pelas bets para patrocinar os clubes vem dos próprios apostadores. O presidente associou a atividade ao adoecimento de pessoas de baixa renda.
"Agora chega a bet, que não oferece nenhum entretenimento para ninguém, sabe? E fica financiando os clubes com quem? Com dinheiro do pobre."
Clubes defendem mercado regulamentado
A reação das equipes foi formalizada em um manifesto divulgado em 17 de setembro, intitulado "O fim do futebol brasileiro".
Entre as entidades que divulgaram o documento estão as federações de futebol de São Paulo e do Rio, além de clubes como Flamengo, Palmeiras, Santos, Vasco e São Paulo.
Os signatários afirmam que restrições podem comprometer contratos e receitas, especialmente de equipes menores. Reconhecem os problemas sociais associados às apostas, mas defendem fiscalização e proteção dos usuários com a manutenção do mercado regulamentado.
"Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba."
A versão da medida provisória em discussão no governo à época do manifesto previa proibir cassinos on-line, sem atingir diretamente apostas esportivas ou patrocínios.
Os clubes temiam efeitos indiretos sobre as receitas, porque operadoras atuam nas duas modalidades.
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