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STF
Congresso em Foco
27/9/2026 21:39
O ministro Gilmar Mendes, do STF, defendeu neste domingo (27), em publicação no X, uma ampla revisão de precatórios expedidos pela Justiça Federal e uma atuação coordenada dos órgãos de controle diante das irregularidades reveladas pelas investigações sobre o Banco Master.
Gilmar afirmou que o caso abre uma oportunidade para uma "profunda reforma" das instituições e sustentou que os problemas identificados ultrapassam o Judiciário, alcançando também o sistema financeiro e órgãos como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo o ministro, as apurações sobre o Master revelaram um modelo baseado na compra, com desconto, de créditos judiciais contra a União. Esses ativos, afirmou, seriam registrados por valores superiores e utilizados como lastro para a captação de recursos no mercado.
Gilmar também relacionou esse modelo à emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração acima da média e à distribuição dos produtos por corretoras.
"Por isso, como já afirmei, o endereço do caso Master está também na Faria Lima", escreveu.
"O imprevisto é uma espécie de deus avulso, ao qual é preciso dar algumas ações de graças; pode ter voto decisivo na assembleia dos acontecimentos", escreveu Machado de Assis em Esaú e Jacó. O acaso nos abre agora a oportunidade de realizar uma profunda reforma nas instituições…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 27, 2026
Precatórios do setor sucroalcooleiro
Na publicação, Gilmar destacou os precatórios ligados ao setor sucroalcooleiro. As ações têm origem em indenizações cobradas da União por usinas devido à política de preços adotada pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) nas décadas de 1980 e 1990.
O STF estabeleceu, em julgamento com repercussão geral, que a indenização depende da comprovação individual do prejuízo sofrido pelas empresas. Gilmar sustenta que estudos genéricos do setor não são suficientes para fundamentar os pagamentos. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 calcula em até R$ 103,4 bilhões o risco fiscal relacionado a essas ações. UOL Notícias
O ministro também mencionou o contrato de até R$ 427 milhões entre o Master e o escritório de advocacia integrado por Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O contrato previa honorários relacionados a processos envolvendo os precatórios do setor sucroalcooleiro. O escritório confirmou a existência do acordo, mas declarou que não recebeu valores a título de êxito. Folha de S.Paulo
Gilmar já submeteu ao plenário do Supremo uma discussão sobre o pagamento dessas indenizações. O ministro argumenta que a análise pelo conjunto da Corte pode uniformizar a aplicação do entendimento que exige perícia individual para demonstrar o prejuízo das usinas. UOL Notícias
Gilmar pede correição nos TRFs
Outro ponto destacado pelo ministro foi a expedição de precatórios antes do trânsito em julgado, ou seja, antes de uma decisão definitiva sobre os valores devidos.
Nesta semana, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o cancelamento de 16 precatórios, avaliados em aproximadamente R$ 4,7 bilhões, relacionados a usinas que haviam negociado créditos com o Banco Master. Segundo o conselho, os pagamentos tinham sido expedidos pelo TRF-1 sem o encerramento definitivo das execuções judiciais. Agência Brasil
Gilmar afirmou que a situação não deve ser tratada como um problema isolado e defendeu que a Corregedoria Nacional de Justiça faça uma correição extraordinária em todos os tribunais regionais federais, com atenção especial ao TRF-1.
A ideia, segundo ele, seria identificar outros precatórios eventualmente expedidos com valores inflados, antes do trânsito em julgado ou em desacordo com precedentes dos tribunais superiores.
O ministro citou ainda processos relativos à revisão da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) com base na Tunep. A controvérsia sobre a expedição de precatórios antes do encerramento definitivo dessas causas foi submetida ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para julgamento sob o rito dos recursos repetitivos.
BC e CVM também devem agir, diz ministro
Gilmar afirmou que a apuração não deve ficar restrita ao Judiciário porque os créditos judiciais passaram a integrar fundos de investimento e balanços de instituições financeiras.
Por isso, defendeu o reforço da fiscalização do Banco Central e da CVM sobre a negociação desses ativos e sua utilização pelo sistema financeiro.
O ministro também mencionou a necessidade de apuração de possíveis responsabilidades de magistrados e advogados e cobrou atuação do Ministério Público Federal (MPF), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Conselho da Justiça Federal (CJF).
"Impõe-se uma resposta coordenada das instituições, à altura da gravidade dos fatos revelados", afirmou Gilmar no encerramento da publicação.
No início do texto, o ministro recorreu a uma passagem de Esaú e Jacó, de Machado de Assis, para defender que a crise pode servir como ponto de partida para mudanças institucionais. A partir das revelações do caso Master, Gilmar afirma que o Judiciário e os órgãos responsáveis pela fiscalização do mercado financeiro têm a oportunidade de rever procedimentos e fechar brechas que, segundo ele, permitiram a proliferação das irregularidades.
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