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Eleições

Bancadas negra e indígena encolhem e ocuparão apenas 26,9% da Câmara

Representantes autodeclarados negros ocuparão 26,3% das cadeiras; três deputados federais eleitos se autodeclararam indígenas, segundo registros da Justiça Eleitoral.

Congresso em Foco

5/10/2026 14:32

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As eleições de 2026 elegeram 135 deputados federais autodeclarados pretos ou pardos para a Câmara dos Deputados. O grupo representa 26,3% das 513 cadeiras da Casa na legislatura que começa em fevereiro de 2027.

O número é 2,9% menor que o registrado nas eleições de 2022, quando 139 parlamentares pretos ou pardos foram eleitos. A comparação com 2022 é utilizada apenas para dimensionar a mudança na representação racial da Câmara.

Dos 135 deputados pretos ou pardos eleitos em 2026, 77 foram reeleitos, o equivalente a 57% do grupo. Outros 58 chegam à Câmara pela primeira vez ou retornam à Casa após um período fora do Parlamento.

Veja quantos candidatos negros e indígenas foram eleitos deputados federais.

Veja quantos candidatos negros e indígenas foram eleitos deputados federais.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

União/PP elege maior número de pretos e pardos

A federação formada por União Brasil e PP foi a que mais elegeu deputados autodeclarados pretos ou pardos em 2026. Ao todo, foram 32 parlamentares, o equivalente a 23,7% das 135 cadeiras ocupadas por esse grupo.

O resultado mostra que a presença de parlamentares pretos e pardos está distribuída entre diferentes partidos e não se concentra em uma única legenda.

São Paulo terá sete deputados pretos ou pardos

Em São Paulo, Estado que elege a maior bancada da Câmara, sete dos 70 deputados federais eleitos se autodeclararam pretos ou pardos.

Entre eles está Erika Hilton (PSOL), que se declarou preta. Também foram eleitos como pardos Marcos Pereira (Republicanos), Sidney Cruz (MDB), Ney Santos (Republicanos), Altair Moraes (Republicanos), Maria Rosas (Republicanos) e Milton Leite Filho (União Brasil).

Erika Hilton recebeu 1.596.472 votos, sendo a segunda candidata mais votada para deputado federal em São Paulo, atrás de Lucas Pavanato (PL).

A bancada paulista terá, proporcionalmente, menos parlamentares pretos e pardos que a atual. O número caiu de dez para sete eleitos em 2026.

Três indígenas eleitos

Além do recorte de pretos e pardos, três deputados federais eleitos em 2026 aparecem como indígenas no cadastro eleitoral consultado a partir dos registros do TSE: Paulo Guedes (PT-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Sônia Guajajara (PSOL-SP).

Paulo Guedes foi reeleito por Minas Gerais e integra a bancada do PT no Estado. O parlamentar aparece nos registros eleitorais como indígena.

Em São Paulo, Juliana Cardoso e Sônia Guajajara foram eleitas. Juliana recebeu 111.904 votos, enquanto Sônia Guajajara obteve 54.207 votos. As duas se autodeclararam indígenas à Justiça Eleitoral.

Juliana Cardoso foi reeleita pelo PT e continuará na Câmara a partir de 2027.

Sônia Guajajara também foi reeleita. A parlamentar, que comandou o Ministério dos Povos Indígenas no governo Lula, seguirá na Câmara na próxima legislatura.

A nova composição representa uma redução em relação à bancada indígena eleita em 2022. Naquele pleito, cinco indígenas conquistaram cadeiras na Câmara: Célia Xakriabá, Juliana Cardoso, Paulo Guedes, Silvia Waiãpi e Sônia Guajajara. Célia Xakriabá e Silvia Waiãpi não estão entre os eleitos de 2026. Célia disputou novamente uma cadeira por Minas Gerais, mas não foi eleita.

Representação indígena permanece abaixo de 1%

Com três parlamentares indígenas entre as 513 cadeiras, a representação corresponde a aproximadamente 0,6% da Câmara dos Deputados.

O resultado ocorre em um cenário de crescimento das candidaturas indígenas. Em 2026, foram registradas 75 candidaturas indígenas para deputado federal, segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) baseado nos dados do TSE.

O número de candidaturas indígenas para deputado federal foi recorde. Apesar do aumento da participação eleitoral, apenas três candidatos que se autodeclararam indígenas conquistaram uma cadeira na Câmara no pleito deste ano.

Autodeclaração

Os dados de cor ou raça e de etnia indígena utilizados no levantamento são autodeclaratórios. O TSE mantém campos específicos para cor/raça e etnia indígena no cadastro de candidaturas e no painel de perfil dos candidatos.

A Justiça Eleitoral passou a coletar informações autodeclaradas sobre identidade racial e etnia indígena de forma mais ampla a partir de 2022. Por isso, os dados devem ser interpretados como registros feitos pelos próprios candidatos no momento da candidatura.

Na classificação utilizada pela Justiça Eleitoral, pretos e pardos são considerados conjuntamente no recorte de população negra. Por isso, o número de 135 corresponde à soma dos deputados que se declararam pretos ou pardos.

A nova Câmara dos Deputados tomará posse em 1º de fevereiro de 2027, para mandatos de quatro anos. As eleições de 2026 definiram as 513 cadeiras da Casa.

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