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ELEIÇÃO PARA O CONGRESSO

Uso dos dois votos para o Senado sobe a 83% e é o maior desde 2002

Aproveitamento cresce nas 27 unidades da Federação e avança dez pontos em relação a 2018; Amapá lidera, com 92,8%. Neste ano, eleitor podia votar em dois candidatos ao Senado.

Congresso em Foco

6/10/2026 10:20

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Depois de três eleições seguidas de queda no aproveitamento dos dois votos para o Senado, o movimento se inverteu em 2026. O eleitor usou 83,1% das duas possibilidades de escolha, maior percentual das quatro eleições comparáveis deste século e dez pontos acima do registrado em 2018.

Levantamento do Congresso em Foco com base nos resultados da Justiça Eleitoral mostra que a melhora ocorreu nas 27 unidades da Federação. Em 2002, 81,1% das possibilidades de voto foram usadas para escolher candidatos. O índice caiu para 77,9% em 2010 e chegou a 73,1% em 2018. Neste ano, subiu para 83,1%.

Eleitor podia votar em dois candidatos ao Senado em 2026.

Eleitor podia votar em dois candidatos ao Senado em 2026.Fernando Frazão/Agência Brasil

A comparação considera apenas as eleições em que duas das três cadeiras de cada Estado e do Distrito Federal estavam em disputa: 2002, 2010, 2018 e 2026. Nessas situações, o eleitor pode votar em dois candidatos diferentes ao Senado. O TSE já previa essa regra em 2010 e a mesma lógica vale para os pleitos de renovação de dois terços da Casa.

Em números absolutos, 124.768.485 eleitores compareceram às urnas em 2026. Como cada um podia escolher dois candidatos, havia 249.536.970 possibilidades de voto. Desse total, 18.678.856 foram registrados em branco e 23.429.766, como nulos. Restaram 207.428.348 escolhas em candidatos, equivalentes a 83,1% do máximo possível.

Na prática, a cada 100 eleitores presentes, poderiam ser registrados 200 votos em candidatos ao Senado. Em 2026, foram cerca de 166, contra 146 em 2018. Entre 2018 e 2026, o avanço foi de dez pontos percentuais. O índice deste ano também ficou dois pontos acima de 2002, até então o maior da série.

A mudança aparece também em números absolutos. Em 2018, cerca de 63 milhões das possibilidades de voto terminaram em branco ou nulo. Em 2026, foram 42,1 milhões — quase 21 milhões a menos.

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Todos os Estados melhoraram

A recuperação ocorreu nas 27 unidades da Federação. O maior salto foi registrado no Amapá. O aproveitamento passou de 68,2% em 2018 para 92,8% neste ano, crescimento de 24,6 pontos percentuais.Pernambuco, que tinha o menor índice do país em 2018, também apresentou uma das maiores altas: saiu de 61,7% para 78,8%, avanço de 17,1 pontos.

Em São Paulo, o índice passou de 67,6% para 82,2%, aumento de 14,6 pontos. No Distrito Federal, avançou de 77,9% para 88,9%. O Acre apresentou a menor variação: passou de 89,6% para 89,7%, mantendo-se entre as unidades da Federação com maior aproveitamento dos dois votos. O Amapá, com 92,8%, teve em 2026 o maior índice do país.

Como foi feito o cálculo

O levantamento mede quanto das duas possibilidades de voto foi efetivamente usado para escolher candidatos. O cálculo parte do número máximo de votos que poderiam ter sido dados ao Senado — duas escolhas por eleitor presente — e desconta os votos em branco e nulos. A metodologia evita distorções provocadas por decisões judiciais posteriores que possam retirar votos de determinado candidato do total oficialmente classificado como válido, embora o eleitor tenha efetivamente feito uma escolha na urna.

Os dados agregados, porém, não permitem saber quantas pessoas votaram validamente duas vezes, quantas escolheram apenas um candidato e quantas combinaram um voto em candidato com outro branco ou nulo.

Por que são dois votos

A renovação alternada existe desde o início da República. A Constituição de 1891 estabeleceu três senadores por Estado, com mandatos de nove anos e renovação de um terço a cada três. O formato atual surgiu com a Constituição de 1946: mandatos de oito anos e eleições a cada quatro, alternando a renovação de um e dois terços. A Constituição de 1988 manteve a fórmula.

A lógica é evitar que todo o Senado seja substituído de uma só vez, combinando renovação política e continuidade institucional.

O princípio não é exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos, os senadores têm mandato de seis anos e aproximadamente um terço das cadeiras é renovado a cada dois. Na França, os mandatos também duram seis anos, mas metade do Senado é renovada a cada três.

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