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RECORDISTAS DE VOTOS

Nikolas e Pavanato garantiram a eleição de outros 15 deputados do PL

Levantamento do Congresso em Foco mostra que, sem os dois recordistas de votação, partido perderia dez cadeiras em Minas e sete em São Paulo.

Congresso em Foco

8/10/2026 | Atualizado às 11:46

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Os mais de 6,1 milhões de votos recebidos por Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) foram decisivos para 17 das 40 cadeiras conquistadas pelo PL em Minas Gerais e São Paulo, segundo levantamento do Congresso em Foco feito a partir dos resultados oficiais da Justiça Eleitoral.

Em Minas, onde Nikolas recebeu 3.119.318 votos, o PL elegeu 21 deputados federais. Se os votos dele fossem retirados, mantendo-se inalterada a votação dos demais candidatos e partidos, a legenda ficaria com 11 cadeiras. A diferença é de dez vagas: a do próprio Nikolas e as de outros nove candidatos.

Em São Paulo, Pavanato teve 3.038.438 votos e o PL conquistou 19 cadeiras. Sem essa votação, cairia para 12. Seriam sete vagas a menos: a de Pavanato e as de outros seis candidatos.

Somados, os dois recordistas foram determinantes para a eleição de outros 15 deputados do PL. Esse grupo, sozinho, tem tamanho equivalente às bancadas que PSB e Federação Psol-Rede terão na nova Câmara e supera as de PSDB-Cidadania, Novo, PRD-Solidariedade, PDT, Avante e Missão. Ao todo, iguala ou supera a representação de oito partidos ou federações na legislatura que começa em fevereiro de 2027. Apenas sete bancadas serão maiores.

Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato se tornaram, no último domingo, os deputados federais mais votados da história no país e ajudaram a ampliar a bancada do PL na Câmara.

Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato se tornaram, no último domingo, os deputados federais mais votados da história no país e ajudaram a ampliar a bancada do PL na Câmara.Reprodução/redes sociais

No domingo (4), o PL também elegeu 121 deputados federais, a maior bancada da nova Câmara. Seus candidatos ao cargo, eleitos ou não, somaram 25,8 milhões de votos.

Nikolas e Pavanato estabeleceram ainda os dois maiores resultados individuais da história das eleições para a Câmara em números absolutos. Ambos superaram o recorde anterior de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que recebeu 1,84 milhão de votos em 2018. Antes dele, a marca pertencia a Enéas Carneiro, com 1,57 milhão em 2002.

Nikolas: PL cairia de 21 para 11 em Minas

Minas Gerais registrou 11.380.151 votos válidos para deputado federal e distribuiu 53 cadeiras. O quociente eleitoral foi de 214.720 votos. O PL somou 4.613.114 votos, dos quais mais de dois terços vieram de Nikolas.

Sem os 3.119.318 votos do deputado, o total de votos válidos cairia para 8.260.833 e a votação do PL, para 1.493.796. O novo quociente eleitoral seria de 155.865 votos. Nesse cenário, o partido conquistaria nove cadeiras pelo quociente partidário e mais duas na distribuição das sobras, terminando com 11 deputados — dez a menos que os 21 eleitos.

Além da cadeira de Nikolas, nove candidatos do PL ficariam fora da nova faixa de vagas. Isso não significa que o deputado tenha transferido votos diretamente a esses candidatos. Seus votos entraram na soma do PL e ampliaram o número de cadeiras conquistadas pela legenda.

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Pavanato: PL cairia de 19 para 12 em São Paulo

Em São Paulo, Pavanato liderou a votação para deputado federal com 3.038.438 votos. O PL conquistou 19 das 70 cadeiras paulistas. Refeito o cálculo sem sua votação, a bancada cairia para 12 cadeiras. Além do próprio Pavanato, seis candidatos ficariam fora da nova faixa de vagas.

Como o Congresso em Foco fez o cálculo

O levantamento refez a distribuição das cadeiras em um cenário hipotético no qual os votos de Nikolas e Pavanato deixam de existir.

Em cada estado, a votação do candidato foi retirada tanto do total do PL quanto do total de votos válidos para deputado federal. Em seguida, foram recalculados o quociente eleitoral, o quociente partidário e a distribuição das vagas restantes pelas maiores médias, seguindo as regras aplicadas pela Justiça Eleitoral em 2026.

O exercício não pretende estimar para quem esses eleitores votariam caso Nikolas ou Pavanato não fossem candidatos. A pergunta é mais restrita: quantas cadeiras o PL teria se esses votos simplesmente desaparecessem do resultado, sem qualquer outra mudança?

Como teste da metodologia, o cálculo aplicado ao resultado original de Minas Gerais, sem retirar nenhum voto, reproduziu a distribuição oficial das 53 cadeiras registrada pelo sistema de totalização da Justiça Eleitoral.

Como funciona a eleição para deputado federal

A eleição para a Câmara é proporcional e ocorre separadamente em cada estado. Não basta, portanto, comparar apenas a votação individual dos candidatos.

Primeiro, somam-se os votos dados aos candidatos de cada partido ou federação e os votos de legenda. Esse total ajuda a definir quantas cadeiras cada grupo terá direito a ocupar.

O quociente eleitoral é obtido dividindo o total de votos válidos para deputado pelo número de vagas do estado. Depois, divide-se a votação de cada partido ou federação pelo quociente eleitoral para chegar ao quociente partidário.

A parte inteira desse resultado define as vagas conquistadas inicialmente. Para ocupá-las, os candidatos precisam cumprir a votação mínima prevista na legislação. As cadeiras restantes são distribuídas por um sistema de maiores médias, também sujeito a requisitos de desempenho partidário e individual.

Só depois de definido o tamanho da bancada é que as vagas são ocupadas pelos candidatos mais votados de cada partido ou federação. É por isso que uma votação muito elevada pode ajudar a eleger colegas com votação bem menor.

Quociente não é o mesmo que número de vagas puxadas

A votação de Nikolas correspondeu a cerca de 14,5 vezes o quociente eleitoral original de Minas. Isso não significa que ele tenha criado 14 vagas para outros candidatos, porque o PL conquistaria parte delas mesmo sem seus votos. Refeita toda a distribuição sem a votação de Nikolas, a legenda perderia dez cadeiras.

Com Pavanato ocorre o mesmo. Seus pouco mais de 3 milhões de votos equivaliam a quase nove quocientes eleitorais paulistas, mas, sem essa votação, o PL perderia sete vagas. Por isso, simplesmente dividir os votos de um candidato pelo quociente eleitoral não revela quantos mandatos dependeram efetivamente de sua votação.

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