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REDUÇÃO DA JORNADA

Senado vota fim da escala 6x1 em meio à disputa entre Lula e Flávio

Alcolumbre marcou votação em primeiro turno para quarta-feira (14). PEC prevê redução gradual da jornada para 40 horas, sem corte salarial, mas mudanças no texto podem atrasar a aprovação.

Congresso em Foco

12/10/2026 17:00

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A proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas será votada em primeiro turno no Senado nesta quarta-feira (14). O anúncio foi feito pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), na noite de sexta-feira (9), em meio à disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre a aprovação da medida antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

"Pautei para quarta-feira (14) a votação, em primeiro turno, da PEC 221, de 2019, que trata do fim da escala 6x1", informou Alcolumbre em comunicado divulgado pela Agência Senado. Segundo ele, a decisão cumpre o compromisso de submeter a proposta ao Plenário "com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental".

Ao lado da líder do governo, Teresa Leitão, Davi Alcolumbre conversa com Paulo Paim, um dos principais defensores da PEC no Senado.

Ao lado da líder do governo, Teresa Leitão, Davi Alcolumbre conversa com Paulo Paim, um dos principais defensores da PEC no Senado.Jonas Pereira/Agência Senado

O calendário prevê a conclusão das duas sessões de discussão restantes na terça (13) e na própria quarta-feira (14), antes da votação. A PEC 221/2019 já passou pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas ainda precisará do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em duas votações para ser aprovada definitivamente.

A decisão de Alcolumbre representa um avanço para o governo, que tenta concluir a tramitação antes da eleição. A oposição, por sua vez, defende o adiamento da votação para depois do segundo turno. O presidente do Senado ressaltou que caberá a cada parlamentar decidir seu voto "com liberdade, consciência e convicção".

Lula desafia Flávio, que tenta adiar votação

A proximidade do segundo turno presidencial transformou o calendário da PEC em uma queda de braço entre os dois candidatos. Lula incorporou o fim da escala 6x1 à campanha e desafiou Flávio a orientar os senadores do PL a apoiar a redução da jornada. O candidato do PL acusa o presidente de explorar eleitoralmente a proposta e defende que a votação seja realizada somente depois da eleição.

A divergência também envolve o modelo de jornada. Enquanto Lula defende a redução para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem corte salarial, Flávio apoia uma alternativa de contratação flexível, com remuneração proporcional às horas trabalhadas, sem garantia do fim da escala 6x1.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), também coordenador da campanha de Flávio, está entre os críticos da tentativa de acelerar a tramitação. A resistência ao calendário busca impedir que Lula chegue às urnas com a aprovação de uma medida de forte apelo entre os trabalhadores.

A disputa, porém, não se limita à data da votação. Alterações no conteúdo da PEC podem obrigar o retorno da proposta à Câmara dos Deputados, atrasando a conclusão do processo legislativo e, consequentemente, a entrada em vigor das novas regras.

O que falta para a aprovação

A votação marcada para quarta-feira será apenas a primeira das duas etapas exigidas para a aprovação de uma emenda constitucional no Senado. Se receber pelo menos 49 votos favoráveis, a PEC ainda terá de passar por três sessões de discussão antes da segunda votação, na qual será exigido o mesmo quórum.

Pelo calendário regimental, a tramitação poderá ser concluída ainda em outubro. Para antecipar a decisão, os senadores poderão aprovar um calendário especial ou dispensar intervalos regimentais.

Na quarta-feira (7), Alcolumbre afirmou que ainda não havia recebido requerimento para abreviar a tramitação, mas garantiu que submeteria eventual pedido à decisão do Plenário. "Se o requerimento aparecer, eu vou colocar para deliberação, e o Plenário é soberano, a vontade da maioria vai prevalecer", declarou.

Outro obstáculo é a possibilidade de alterações no texto. A proposta recebeu 36 emendas no Senado, todas rejeitadas pelo relator, Omar Aziz (PSD-AM), mas novas modificações ainda poderão ser apresentadas durante a análise em Plenário.

Como a Câmara já aprovou a PEC, o Senado poderá concluir a tramitação legislativa se mantiver o conteúdo aprovado pelos deputados. Nesse caso, a emenda seguirá diretamente para promulgação pelas Mesas das duas Casas do Congresso, sem necessidade de sanção presidencial.

Se os senadores aprovarem mudanças de mérito, porém, a proposta terá de voltar à Câmara, que precisará analisar as alterações. O retorno abriria uma nova etapa de tramitação, sem prazo definido para conclusão, e poderia inviabilizar a aprovação definitiva antes de 25 de outubro.

O risco de atraso também afeta os trabalhadores: os prazos para a redução da jornada só começarão a contar depois da publicação da emenda constitucional, e não a partir da votação de quarta-feira.

Quando a nova jornada começará a valer

De autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a PEC estabelece uma transição de 14 meses para reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários. A mudança ocorrerá em duas etapas:

  • Dois meses após a publicação da emenda: a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais. Os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente aos domingos.
  • Quatorze meses após a publicação: a jornada máxima será reduzida de 42 para 40 horas semanais, mantidos os dois dias de descanso e a remuneração integral.

Isso significa que, se a PEC for aprovada e promulgada sem alterações, o fim da escala 6x1 começará a valer dois meses depois da publicação da emenda, antes mesmo de a jornada atingir o limite definitivo de 40 horas.

As novas regras também alcançarão os contratos de trabalho em vigor. O texto proíbe qualquer redução salarial decorrente da diminuição da jornada, inclusive nos pisos das categorias profissionais.

A proposta permite acordos e convenções coletivas para organizar horários e compensar jornadas, respeitados os limites constitucionais.

Na quinta-feira, o senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu a aprovação da medida por unanimidade e lembrou que o texto recebeu apoio expressivo na Câmara.

"Não podemos aceitar que alguém passe a vida inteira trabalhando seis dias e descansando um dia. É chegada a hora da mudança", afirmou.

Com a primeira votação marcada para quarta-feira, o Senado entra em uma semana decisiva para a proposta. O governo precisa reunir os votos necessários e negociar um calendário que permita concluir a tramitação sem alterações que obriguem o retorno do texto à Câmara.

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Escala 6x1 Fim da escala 6x1 Davi Alcolumbre Câmara Senado

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