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Congresso em Foco
15/10/2026 | Atualizado às 15:06
O deputado federal Rafael Brito (MDB-AL) prevê um início de legislatura marcado por conflitos políticos, dificuldades de diálogo e disputas entre parlamentares de diferentes correntes ideológicas. Em entrevista ao Congresso em Foco, o parlamentar alagoano afirmou que a radicalização e a influência das redes sociais estão modificando a composição do Congresso.
Para Brito, a busca por popularidade digital tem ganhado espaço em relação ao trabalho legislativo. O parlamentar recorreu a uma expressão popular de Alagoas para ilustrar como imagina o funcionamento do Congresso nos primeiros meses de 2027.
"Eu acho que o Congresso vai ser muito tumultuado no começo, na Câmara e no Senado. Lá em Alagoas, a gente tem uma expressão: 'é como o carregamento de porco'. Quando você coloca os porquinhos em um caminhão, eles vão pulando no começo e depois vai assentando."
Equilíbrio
Na avaliação de Rafael Brito, o MDB deverá exercer uma função importante na articulação política durante a próxima legislatura. O deputado destacou a diversidade ideológica existente dentro do partido, que reúne parlamentares identificados com diferentes posições políticas.
Segundo o deputado, a capacidade de conversar com parlamentares que possuem posições distintas será especialmente necessária diante do cenário político que se apresenta. "O MDB tem esse papel de equilibrar as coisas e que facilitar o diálogo. De fazer com que as pessoas se expressem livremente sem que um partido diga o que ela deve fazer ou o que ele deve pensar", destacou.
Tradicional
O deputado também comentou as mudanças na representação das correntes ideológicas no Legislativo. Segundo Rafael Brito, o centro político perdeu espaço, mas o fenômeno não se restringe aos parlamentares de posições moderadas.
Para ele, setores tradicionais da direita também enfrentaram dificuldades diante do crescimento de candidaturas identificadas com o bolsonarismo. Brito afirmou que parlamentares de direita que considera qualificados deixaram de conquistar mandatos diante de candidatos com posições mais radicais.
"O centro da política perdeu espaço, ficou achatado. Mas, se você observar, a direita perdeu espaço para o bolsonarismo."
Redes sociais
Rafael Brito criticou ainda a influência das redes sociais sobre o comportamento eleitoral. O parlamentar afirmou que a popularidade conquistada por meio de vídeos e publicações na internet tem se tornado um fator relevante nas disputas por vagas no Congresso.
Na avaliação dele, esse fenômeno pode favorecer candidatos que se destacam pela capacidade de gerar repercussão digital e até de polêmicas, independentemente de sua experiência política ou atuação em questões administrativas. "A gente está vivendo um momento muito difícil em que quem trabalha, quem dá resultado, tem tido menos votos do que quem viraliza na rede social", declarou.
Brito argumentou que a situação representa uma dificuldade para parlamentares que concentram sua atuação na elaboração de propostas, na destinação de recursos e no acompanhamento de demandas dos municípios. Segundo ele, o reconhecimento público dessas atividades nem sempre acompanha o trabalho realizado.
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