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ELEIÇÕES
Congresso em Foco
16/10/2026 | Atualizado às 22:40
O senador Flávio Bolsonaro (PL) participau na noite desta sexta-feira (16) de sabatina ao vivo da TV Globo na reta final da campanha para o segundo turno da eleição presidencial de 2026. A entrevista foi conduzida pela jornalista Renata Lo Prete.
O candidato do PL se apresentou na emissora um dia após a sabatina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ordem das entrevistas foi definida em sorteio, seguindo acordo firmado com as equipes de campanha dos dois presidenciáveis.
Na sabatina, o presidenciável foi abordado a respeito das principais polêmicas envolvendo sua candidatura. Flávio negou que tenha a intenção de cortar gastos em programas sociais e políticas públicas de distribuição de renda, e disse não possuir planos de mexer com o fim da escala 6x1. Também tornou a defender a legalidade do contrato de patrocínio com Daniel Vorcaro para patrocínio do Banco Master, criticou a condução de ministros do STF e assegurou que, se eleito, fará apenas um mandato.
Gestão de despesas
Logo no início da entrevista, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre as alegações de que, se eleito, tentaria interromper a política de valorização do Salário Mínimo, o reajuste da aposentadoria atrelado ao Mínimo e cortar os pisos orçamentários nas áreas de saúde e educação.
Flávio acusou a campanha do presidente Lula de criar uma falsa imagem de seu programa econômico. "Meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo em cima de servidores públicos, em cima de estatais, dizendo que eu acabaria com as aposentadorias, que eu acabaria com os servidores públicos, que eu privatizaria Banco do Brasil, Caixa, Petrobras, enfim. (...) Eu estou concorrendo à eleição para presidente da República, que é coisa muito séria, e o maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula", disse.
O congressista afirma que, em eventual governo, buscará cortar gastos no aparato burocrático, com redução de ministérios e de cargos comissionados, além de contar com cenários de aumento de arrecadação nas estatais.
Apoio à PEC 6x1
Questionado sobre a mudança de posicionamento a respeito da PEC do fim da escala 6x1, Flávio disse que a decisão veio da análise do clima entre apoiadores. "Eu ouvi muitos trabalhadores e eu votei conforme o que eu ouvi nas ruas. Como eu ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam favoráveis ao fim da escala seis por um, eu resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros".
Flávio também retomou a defesa da PEC das escalas de trabalho flexíveis. Ao seu ver, as propostas não são incompatíveis. "Eu sempre defendi mais liberdade para que os trabalhadores pudessem, inclusive, montar a sua própria jornada de trabalho. Eu sempre citava o exemplo daquela mãe solo que sustenta o seu filho sozinho, que às vezes não tem com quem deixar a sua criança. E com essa escala 6x1 engessada, ela não conseguiu um emprego. Então, eu sou a favor de mais liberdade", declarou.
O presidenciável assegurou que não pretende articular por mudanças na PEC aprovada. "Todos os direitos trabalhistas estão garantidos, cada um pode ter a sua opinião individual, mas da minha parte, isso aqui está respeitado, foi uma decisão do Congresso Nacional. Então da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso".
Mandato único
O senador foi questionado a respeito do plano de, como presidente, promover a PEC do fim da reeleição presidencial. Flávio reiterou a iniciativa, e antecipou que, se eleito, não disputará uma reeleição. O parlamentar também defendeu que pretende aplicar a restrição eleitoral também para familiares de chefes de governo eleitos.
"Eu não estou disputando o poder, eu estou disputando o futuro da nossa nação. Eu estou aqui me comprometendo, eu só preciso de um mandato. (...) Eu tenho desapego ao poder, não tenho projeto de poder da minha parte", afirmou.
Caso Dark Horse
Quando perguntado sobre a polêmica envolvendo o patrocínio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ao filme Dark Horse, Flávio tornou a declarar que o acordo tinha origem lícita. "Era um contrato que não foi cumprido, e com os recursos que foram aportados por ele e mais outros investidores, nós conseguimos concluir o filme. Simples assim, uma relação privada, um dinheiro totalmente lícito".
Flávio acrescentou que Vorcaro não cumpriu os termos do acordo e que buscou o banqueiro quando não haviam indícios de irregularidades em sua instituição. "Eu conversei com vários possíveis investidores, e ele topou fazer numa época que ele não tinha absolutamente nada de errado".
O candidato também defendeu a qualidade do filme, que será publicado após o período eleitoral. "Muito em breve, se Deus quiser, todos verão uma obra-prima maravilhosa, um filme muito emocionante, em homenagem ao melhor presidente do Brasil que esse país já teve".
Comando da PF
Renata Lo Prete relembrou a crise no Ministério da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro, quando o então presidente afirmou que mudaria o comando da Polícia Federal se prejudicasse sua família. O episódio resultou no pedido de exoneração do então ministro Sergio Moro.
O congressista negou que Bolsonaro tenha interferido politicamente na corporação. "Ele trocou o superintendente do Rio de Janeiro na época, se não me engano, porque estava apresentando maus resultados. E ele queria uma pessoa que entregasse resultados melhores".
Flávio também acusou o presidente Lula de colocar aliados em postos estratégicos na Polícia Federal. "O Bolsonaro troca um, tem esse questionamento. Ele troca 27 e não tem questionamento nenhum. Hoje em dia, é óbvio que a Polícia Federal está aparelhada, tem um grupo especial do Lula dentro da Polícia Federal".
O senador negou ainda o mérito da condenação de seu pai no STF por tentativa de golpe de Estado, alegando que os membros da 1ª Turma teriam julgado conforme interesses do governo. "Alexandre de Moraes votou para condenar o presidente Bolsonaro pelo golpe da Disney. Ele foi condenado por organização criminosa armada e não foi encontrado uma arma em lugar nenhum. Depredação de patrimônio público, ele a 10 mil quilômetros de distância".
Impeachment de ministros
Flávio Bolsonaro foi questionado a respeito da postura de defesa da abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes em função das suspeitas de envolvimento com o caso Master, e se a mesma posição vale também para Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, e também citado em vazamentos.
O candidato respondeu ser favorável a responsabilização em ambos os casos. "A lei tem que valer para todo mundo. A Lei 1079, que é a lei de impeachment, estabelece lá quais são os crimes de responsabilidade que o seu ministro do Supremo Tribunal Federal incorrer em uma daquelas hipóteses é obrigação do Senado Federal iniciar um processo de impeachment".
Por outro lado, manteve a ênfase na conduta de Moraes, a quem acusa de atuação político-partidária. "Alexandre de Moraes virou o articulador político do Lula em Brasília, ele que fez as pazes do Davi Alcolumbre, presidente do Senado, junto ao presidente Lula, e hoje estão todos unidos a favor da reeleição do Lula. Então não dá para admitir um ministro do Supremo tendo uma atuação político-partidária".
Parentes sem cargo
Questionado se concederia cargos em um futuro governo ao pai e ao irmão Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro disse que não. De acordo com ele, o papel de Jair Bolsonaro seria em uma condição de conselheiro pessoal. "Eu tenho o privilégio de, a hora que eu precisar consultar um ex-presidente da República, eu tenho dentro de casa um de confiança. Eu sou um privilegiado por isso, mas ele nunca tratou de cargo comigo".
No caso de Eduardo, assegurou que ele não ocupará a posição de chanceler, mas destacou sua atuação internacional. "O Eduardo faz sim um trabalho brilhante, ele construiu ao longo de mais de 10 anos um relacionamento internacional com vários líderes políticos conservadores que são de direita, e ele tem o mérito dele. Agora, a questão de ser chanceler, ser o ministro das Relações Exteriores aqui no Brasil, é um outro assunto".
O senador reforçou a contrariedade à condenação do irmão no STF por articular sanções nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. "Eduardo é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil. Algum dia a história ainda vai reconhecê-lo como alguém que se sacrificou para defender a democracia no nosso país. Hoje, ele não pode pisar em um monte de países, porque o Alexandre de Moraes persegue ele a todo momento".
Prisão de aliados
Na entrevista, Lo Prete relembrou que muitos dos principais aliados de Flávio Bolsonaro na política do Rio de Janeiro foram presos durante investigações envolvendo organizações criminosas, como ocorreu com o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar e com o deputado estadual eleito Márcio Canella. Flávio disse ter ficado surpreso com o ocorrido, mas que não atuará em defesa dos investigados.
"Acho que as pessoas têm o direito de se defenderem e provar a sua inocência, é o que eu espero que todos eles façam. Agora, não tem que passar a mão na cabeça de ninguém. Se a pessoa cometeu algo de errado, ela vai ter que responder por isso. Ainda mais quem comprovadamente tem envolvimento com coisa errada, com PCC, com Comando Vermelho, tem que pagar dentro da lei e no meu governo vai ter a pena mais dura, vai ficar mais tempo preso", declarou.
O candidato reiterou que, se eleito, pretende incluir as Forças Armadas no aparato de segurança pública e implementar ações de esforço concentrado no enfrentamento ao crime organizado, em especial no Rio de Janeiro.
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