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Justiça eleitoral
Congresso em Foco
16/10/2026 17:54
A Meta, empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, afirmou nesta sexta-feira (16) que não favorece nenhum dos candidatos à presidência e reconheceu uma série de falhas ocorridas durante a campanha do segundo turno, incluindo a suspensão "por engano" da conta de anúncios do presidente e candidato à reeleição Lula (PT) e uma lacuna no sistema de inteligência artificial.
A manifestação ocorre um dia depois de uma decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze, que atua como juiz auxiliar da propaganda eleitoral no TSE, determinar que a plataforma não interfira na distribuição de conteúdo político-eleitoral relacionado a Lula ou ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em nota, a Meta negou que os episódios tenham motivação ideológica ou representem uma tentativa de influenciar a disputa presidencial. Segundo a companhia, os problemas relatados pelas campanhas possuem explicações técnicas específicas e não decorreram de uma política direcionada a beneficiar ou prejudicar qualquer candidatura.
"Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos."
Processo: 0602746-69.2026.6.00.0000
Conta foi suspensa "por engano"
Entre os episódios reconhecidos pela Meta está a desativação temporária da conta de anúncios utilizada pela campanha de Lula. Segundo a companhia, a suspensão ocorreu em 23 de setembro e durou pouco mais de uma hora.
A Meta sustenta que a medida foi tomada "por engano" e não teve motivação política. De acordo com a explicação apresentada pela empresa, um anúncio da campanha foi identificado incorretamente como uma possível tentativa de se passar por um programa social do governo federal. A classificação aconteceu durante uma análise antifraude.
"Em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de uma hora", informou a companhia. A empresa acrescentou que a página oficial da campanha de Lula no Facebook e o perfil no Instagram não chegaram a ser bloqueados durante o episódio.
Veja a íntegra da nota:
Hoje, compartilhamos informações sobre incidentes técnicos recentes que afetaram campanhas de diferentes posições do espectro político nas eleições brasileiras de 2026. A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político. Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos.
Estes são os fatos.
A conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de 1 hora, e não por razões políticas.
Em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de uma hora, após um anúncio ter sido classificado como uma possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise mais ampla de combate a fraudes. A Página oficial da campanha de Lula no Facebook e sua conta no Instagram nunca foram bloqueadas.
A análise antifraude incorreta feita sobre este anúncio foi adotada no âmbito de um acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União (AGU) para combater golpes envolvendo programas federais. Na ocasião, o acordo assinado reconheceu que mecanismos de detecção mais rigorosos poderiam afetar involuntariamente atividades publicitárias legítimas. Esse risco se concretizou neste caso, mas foi corrigido rapidamente.
Há muito tempo, a Meta alerta que as regras rígidas do Brasil para conteúdo digital aumentam o risco de aplicação excessiva e ameaçam a liberdade de expressão. Desde 2025, essas regras ampliaram a possível responsabilidade das plataformas por conteúdo e anúncios gerados por terceiros.
O problema na contagem de visualizações de vídeos foi global.
Em 7 de outubro, um incidente técnico afetou os sistemas que contabilizam reproduções e reprises de Reels. Durante cerca de cinco horas, as contagens de visualizações ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora o conteúdo continuasse sendo distribuído normalmente. O incidente afetou criadores em mais de 100 países. Não ficou restrito ao Brasil, à conta da campanha de Lula ou a qualquer grupo político. É importante destacar que a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato com a Meta neste dia para relatar o mesmo problema. Na verdade, naquela data, o desempenho da conta oficial de Lula no Instagram ficou significativamente acima de seu próprio patamar recente, uma indicação clara de que o problema na contagem de visualizações não afetou seu alcance. Tratar um erro global de contagem de visualizações como evidência de que a Meta suprimiu uma campanha é simplesmente incorreto.
O problema na criação de anúncios afetou apenas conteúdo do feed e impactou anunciantes em todo o mundo.
Em 9 de outubro, a Meta identificou uma falha global no Gerenciador de Anúncios, causada por uma atualização de código, que impediu temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram. Os uploads diretos pelo Gerenciador de Anúncios continuaram funcionando para a criação de novos anúncios, e a campanha de Lula nunca foi impedida de fazer anúncios desta maneira nesse período. O incidente afetou milhares de anunciantes em diferentes países e terminou depois que a atualização de código foi revertida, nas primeiras horas de 10 de outubro. Além disso, os anúncios que estavam em veiculação, inclusive os da campanha de Lula, não foram afetados. Tratou-se de um evento técnico, e não de uma ação direcionada a uma campanha política específica.
A Meta AI está entre os assistentes de IA que mais cumprem as regras eleitorais quando solicitados a recomendar candidatos.
Para cumprir as regras eleitorais, a Meta proibiu temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil. Uma pesquisa independente publicada pelo InternetLab em 1 de outubro concluiu que a Meta AI quase não ranqueou nem indicou candidaturas.
O incidente envolvendo a Meta AI em 14 de outubro resultou de uma lacuna específica em nossas proteções, e não de viés político. Nossos sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos – incluindo "Lula", "Luiz Inácio Lula da Silva", "Bolsonaro" e "Flávio Bolsonaro" -, mas nem sempre reconheciam um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral. Como resultado, alguns prompts que usavam "Flávio" com seu número podiam gerar imagens de cartazes. A mesma lacuna afetava o outro candidato: prompts que usavam "Luiz" com o número de Lula também podiam gerar imagens de cartazes. Bloquear isoladamente nomes comuns como "Flávio" ou "Luiz" impediria muitas solicitações cotidianas de geração de imagens e não políticas. Corrigimos essa lacuna no mesmo dia.
O cumprimento das regras eleitorais está sendo caracterizado de forma equivocada como viés.
As alegações de viés não se sustentam quando as ações são analisadas individualmente. O cumprimento de ordens judiciais válidas representou cerca de 70% das medidas adotadas pela Meta envolvendo todas as contas de Lula em nossas plataformas registradas na Justiça Eleitoral. Grande parte das demais medidas – como a aplicação das regras a conteúdo gerado por IA em período de silêncio eleitoral previsto em lei e a exclusão de contas de candidatos das recomendações – reflete exigências legais, e não penalidades ideológicas.
Para deixar claro: a Meta aplica as mesmas regras a todos os candidatos, partidos e pontos de vista políticos no Brasil, assim como faz em eleições no mundo todo. Não suprimimos conteúdo para prejudicar um lado nem damos tratamento preferencial a qualquer lado. Cada um dos incidentes citados pela campanha de Lula tem uma explicação direta e documentada, conforme descrito acima. Nenhum deles reflete direcionamento político. Nenhum reflete manipulação da distribuição. Nenhum reflete uma tentativa de influenciar a eleição.
A Meta lamenta a ação judicial infundada apresentada pela campanha de Lula, que acaba introduzindo incertezas e dúvidas injustificadas no debate público sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro.
Apresentamos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma defesa detalhada e respaldada por dados técnicos em resposta à reclamação da campanha de Lula.
Na decisão recente, o TSE não encontrou indícios de manipulação: "Não se afirma, nesta fase, que a representada tenha manipulado a distribuição de conteúdos na internet em favor ou em prejuízo de qualquer candidatura. A declaração técnica juntada indica distribuição de conteúdos do perfil oficial do candidato da coligação representada acima de sua linha de base, em 7 de outubro de 2026, e o próprio relatório trazido pela representante registra não haver evidência suficiente de privilégio partidário deliberado da plataforma."
Continuaremos a nos defender vigorosamente neste processo.
Os eleitores brasileiros merecem fatos, e não uma narrativa política construída pela combinação de problemas técnicos sem relação entre si. A Meta continuará aplicando suas regras, cumprindo a legislação eleitoral brasileira, corrigindo erros quando ocorrerem e garantindo condições igualitárias para todos que utilizam nossos serviços.
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