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ELEIÇÕES
Congresso em Foco
24/10/2026 19:00
Neste domingo (25), 158,7 milhões de eleitoras e eleitores estarão aptos a comparecer às urnas no segundo turno para escolher entre os dois candidatos à presidência da República, enquanto parte desse eleitorado, em cinco Estados e no Distrito Federal, também decidirá as disputas pelos respectivos governos.
Dentre esses eleitores, 2,3 milhões votaram em branco no primeiro turno da disputa ao Planalto. Outros 3,7 milhões anularam o voto, e 33,5 milhões não compareceram às urnas, alcançando uma taxa de abstenção de 21,08%, a maior em uma eleição presidencial desde 1998.
Esse contingente de 39,4 milhões de pessoas, equivalente a 24,85% do eleitorado, não registrou votos válidos para presidente no primeiro turno e constitui uma das parcelas de maior interesse na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Com uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual dos votos válidos, cada eleitor que decidir apoiar um dos finalistas poderá influenciar o resultado.
Quem são esses eleitores
As estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram diferenças expressivas na abstenção conforme a idade, a escolaridade e o sexo. Entre os eleitores com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo, a ausência chegou a 49,19% no primeiro turno. O percentual caiu quase dez pontos em comparação com 2022, quando alcançou 58,86%.
Entre os jovens de 16 e 17 anos, que também não são obrigados a votar, a abstenção caiu de 17,11% para 12,68%. O comportamento foi diferente entre os eleitores de 21 a 24 anos, para quem o voto é obrigatório: a ausência chegou a 25,78%, um aumento de 2,28 pontos percentuais em relação à eleição presidencial anterior.
A escolaridade também apresenta diferenças. Entre os eleitores registrados como analfabetos, a taxa de ausência recuou de 52,08% para 47,86%. Já entre aqueles com ensino superior completo ou incompleto, a abstenção aumentou, embora permaneça abaixo da média nacional. As mulheres mantiveram taxas de comparecimento superiores às dos homens.
A distribuição geográfica também é desigual. O Sudeste registrou uma taxa de abstenção de 22,7%, a maior entre as regiões brasileiras, seguido pelo Centro-Oeste, com 21,7%. O Nordeste apresentou o menor índice, de 18,39%.
Mato Grosso do Sul teve a maior proporção de ausentes entre os Estados, com 23,87%, seguido pelo Rio de Janeiro, com 23,32%, e Minas Gerais, com 22,81%. Na outra ponta, o Ceará registrou a menor abstenção do país, de 15,52%.
Os votos brancos e nulos também apresentam diferenças regionais. No Sudeste, 2,24% dos eleitores que compareceram votaram em branco, enquanto 3,23% anularam o voto. No Nordeste, os percentuais foram de 1,65% e 3,43%, respectivamente. Alagoas apresentou a maior proporção de votos nulos entre os Estados, com 4,43%, seguido pela Paraíba, com 4,39%.
Arena eleitoral
Flávio Bolsonaro já recebeu o apoio de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), derrotados no primeiro turno. Juntos, eles conquistaram 6,4 milhões de votos. Se todos esses eleitores seguissem os apoios declarados e os resultados anteriores fossem preservados, Flávio alcançaria 62,5 milhões de votos, o equivalente a 52,38% dos válidos registrados em 4 de outubro.
Para Lula, os 39,4 milhões de eleitores que votaram em branco, anularam o voto ou não compareceram às urnas representam sua principal possibilidade de ampliar a votação e compensar a vantagem numérica do adversário.
Caso Flávio consiga preservar todos os votos recebidos no primeiro turno e conquistar integralmente os eleitores dos três candidatos que o apoiaram, Lula precisará de 8,6 milhões de votos para alcançá-lo: pouco menos de um quarto dos que rejeitaram as opções no início do mês.
Pela legislação eleitoral, apenas os votos válidos entram no cálculo da maioria necessária para vencer. Os votos brancos e nulos, assim como as abstenções, ficam excluídos da contagem e não são transferidos para nenhum candidato.
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