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ELEIÇÕES 2026

Flávio e Lula: Quem são os candidatos a presidente no segundo turno

De trajetórias distintas, presidente e senador chegam à disputa decisiva marcados por controvérsias, investigações e desafios eleitorais.

Congresso em Foco

24/10/2026 7:00

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), de 45 anos, e o presidente Lula (PT), de 80, disputam neste domingo (25) o segundo turno da eleição presidencial. No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. Separados por 1,87 ponto percentual, chegam à votação decisiva após uma campanha marcada pela polarização, por investigações e pela disputa por novos eleitores.

Principal liderança da esquerda brasileira, Lula tenta conquistar o quarto mandato, mas enfrenta o desgaste de seu terceiro governo. Filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio busca chegar ao Executivo pela primeira vez e dar continuidade ao projeto político do pai, condenado por tentativa de golpe de Estado. Um precisa defender os resultados da própria administração; o outro, apresentar credenciais para governar e responder pelas controvérsias associadas ao bolsonarismo.

Lula ou Flávio? Um deles será eleito para governar o Brasil pelos próximos quatro anos.

Lula ou Flávio? Um deles será eleito para governar o Brasil pelos próximos quatro anos.Arte Congresso em Foco

Conheça a trajetória dos dois candidatos:

Lula, o ex-metalúrgico em busca do quarto mandato

Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns (PE), Lula migrou ainda criança para São Paulo. Ex-metalúrgico, ganhou projeção nacional ao liderar greves no ABC paulista durante a ditadura militar. Participou da fundação do PT, em 1980, e foi deputado federal constituinte. Sua trajetória política está ligada ao movimento sindical, à defesa dos direitos trabalhistas e à ampliação das políticas sociais.

Depois de três derrotas presidenciais, venceu em 2002 e 2006. Seus governos expandiram programas como o Bolsa Família e promoveram aumentos reais do salário mínimo, mas também enfrentaram escândalos como o mensalão. Segundo o Datafolha, Lula terminou o primeiro mandato com 52% de avaliação positiva e o segundo com 83%. Eleito novamente em 2022, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar três mandatos presidenciais pelo voto direto. Tem como vice, novamente, Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador de São Paulo e seu adversário na eleição presidencial de 2006.

Da prisão à volta ao Planalto

A trajetória de Lula também foi marcada pela Lava Jato. Condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, ficou 580 dias preso, de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019, em Curitiba. Foi libertado após o STF restabelecer o entendimento de que a execução da pena deve, como regra, aguardar o trânsito em julgado.

Em 2021, o Supremo anulou suas condenações porque a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos. A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do triplex. As decisões restabeleceram os direitos políticos de Lula, impedido de disputar a eleição de 2018.

Da popularidade recorde ao desgaste

Lula voltou ao Planalto em 2023 prometendo reconstruir políticas sociais, recuperar a economia e fortalecer a democracia. Mas não repetiu a popularidade dos governos anteriores. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) mostrou 36% de avaliação ótima ou boa, contra 39% de ruim ou péssima, índices tecnicamente empatados.

O custo de vida, o endividamento das famílias, as dificuldades fiscais e problemas de comunicação alimentaram o desgaste. Investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente, inclusive seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, também foram exploradas pela oposição.

As dificuldades apareceram especialmente nas cidades menores. Levantamento do Congresso em Foco mostrou que a vantagem de Lula nos municípios de até 100 mil eleitores caiu 5,68 milhões de votos entre os primeiros turnos de 2022 e 2026. Nessas localidades, o petista perdeu 2,01 milhões de votos, enquanto Flávio recebeu 3,67 milhões a mais que Jair Bolsonaro quatro anos antes.

As bandeiras de um possível novo mandato

Na campanha, Lula colocou entre suas prioridades o combate à desigualdade, a ampliação dos investimentos sociais e educacionais e a defesa dos direitos trabalhistas. Também destacou a preservação das instituições democráticas. Uma de suas principais bandeiras foi o fim da escala 6x1, aprovado pelo Congresso em outubro, com redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.

Na convenção que oficializou sua candidatura, em agosto, afirmou: "Eu não quero ser mais o presidente só do Bolsa Família, só do Brasil Sorridente. É preciso mais, mais e mais."

A proposta de ampliar políticas sociais e investimentos convive com questionamentos sobre seus custos e efeitos fiscais. Lula chega ao segundo turno apoiado na experiência de três mandatos, mas precisa conquistar o apoio de eleitores insatisfeitos com sua administração.

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Flávio, o herdeiro político de Jair Bolsonaro

Flávio Nantes Bolsonaro nasceu em 30 de abril de 1981, em Resende (RJ). Advogado, casado e pai de duas filhas, ingressou na política aos 21 anos, quando foi eleito deputado estadual. Exerceu quatro mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e chegou ao Senado em 2019, na mesma eleição que levou o pai à Presidência.

Sua carreira foi construída sob influência política de Jair Bolsonaro, com quem compartilha a defesa de pautas conservadoras e o discurso de endurecimento do combate à criminalidade. No Legislativo, concentrou propostas em segurança pública e legislação penal. Embora tenha participado da tramitação de projetos como relator, enfrentou dificuldades para transformar iniciativas próprias em lei. É autor de uma PEC que acaba com a reeleição presidencial.

Escolhido pelo pai para representar o bolsonarismo, concorre com o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), sem coligação com outros partidos.

O peso do governo do pai

Flávio carrega o legado do governo Bolsonaro, especialmente as críticas à condução da pandemia de covid-19. O ex-presidente questionou vacinas e medidas sanitárias, enquanto a CPI da Pandemia apontou omissões e atrasos na compra de imunizantes, conclusões contestadas por Bolsonaro e seus aliados.

Outro obstáculo é a condenação do ex-presidente pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022. Ele cumpre pena em prisão domiciliar. Ex-ministros como Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres e Paulo Sérgio Nogueira também foram condenados. Flávio defende o pai e contesta as decisões judiciais.

Das rachadinhas aos inquéritos no STF

Em 2020, Flávio foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por suspeita de comandar um esquema de devolução de parte dos salários de funcionários de seu gabinete, conhecido como rachadinha. A acusação envolvia peculato, lavagem de dinheiro e o ex-assessor Fabrício Queiroz. Em 2022, a Justiça rejeitou a denúncia após a anulação de provas pelo STJ e pelo STF. O senador nega irregularidades.

Em 2026, passou a ser investigado no STF por suspeitas relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Federal apura negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em áudio, Flávio pede R$ 134 milhões ao banqueiro para cobrir, segundo ele, despesas da cinebiografia do pai.

O caso é relatado por André Mendonça, a quem a PF pediu, em outubro, mais 90 dias para concluir diligências. Flávio afirma que buscou patrocínio privado, sem oferecer contrapartidas ao banqueiro.

Na reta final da campanha, a Polícia Federal encaminhou ao STF um pedido de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Alexandre de Moraes foi sorteado relator. A apuração examina possíveis vínculos financeiros entre os dois, incluindo indícios de acesso de Flávio a uma conta ligada ao advogado.

A defesa de Flávio nega a existência de sociedade e sustenta que ele ainda não havia sido formalmente incluído como investigado no procedimento, por depender de manifestação da PGR e decisão judicial. Reportagens sobre o caso divergem quanto à situação processual, embora confirmem o encaminhamento da apuração ao Supremo. Tomaz também nega irregularidades. Nenhum dos dois casos resultou em condenação do senador.

As propostas e os desafios da campanha

Flávio apresentou propostas de redução de gastos públicos, desburocratização da economia, endurecimento do combate à criminalidade e medidas para aliviar o endividamento das famílias. Na área fiscal, defendeu diminuir o número de ministérios e reduzir despesas. Também prometeu preservar os reajustes reais do salário mínimo.

Ao mesmo tempo, procurou adotar um discurso mais moderado que o do pai para conquistar eleitores fora da base bolsonarista. Enfrentou dificuldades para atrair partidos de centro, divergências entre aliados e resistência de parte do eleitorado ao legado de Jair Bolsonaro.

Flávio também mudou de posição sobre o fim da escala 6x1: depois de criticar a proposta, votou a favor da emenda aprovada pelo Congresso. Na TV Globo, justificou: "Resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros."

Apesar de mais de duas décadas no Legislativo, nunca ocupou cargo no Executivo. A eleição presidencial é sua primeira tentativa de assumir uma função administrativa.

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