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Eleições
Congresso em Foco
23/10/2026 17:41
A dois dias do segundo turno, as pesquisas eleitorais permitem duas interpretações sobre a disputa entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto o histórico de subestimação do voto bolsonarista sugere que a vantagem do candidato do PL pode ser maior do que a registrada, a recuperação recente de Lula indica a possibilidade de uma virada.
Na média de 14 pesquisas reunidas pelo Congresso em Foco na quarta-feira (21), Flávio aparecia com 51,2% dos votos válidos, contra 48,8% de Lula. Já o Datafolha divulgado na quinta-feira (22) apontou empate, com 50% para cada candidato.
O voto de Flávio pode estar subestimado
O principal argumento favorável a Flávio está no desempenho das pesquisas no primeiro turno. Segundo levantamento do Congresso em Foco, os nove estudos nacionais com resultados comparáveis subestimaram a votação do Flávio, que recebeu 47,03% dos votos válidos.
Em média, Flávio obteve 3,08 pontos percentuais a mais do que o previsto. No Datafolha, a diferença chegou a 5,03 pontos, enquanto Lula terminou apenas 0,16 ponto acima da estimativa.
Isso não significa que todos os institutos tenham errado ao apontar o favorito. Veritá, Gerp e Futura já indicavam a liderança de Flávio antes da votação, mas também registraram percentuais inferiores aos obtidos por Flávio. Situação semelhante ocorreu com Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022, quando sua votação superou as estimativas de diversas pesquisas.
Se uma subestimação dessa magnitude se repetir no domingo, Flávio poderá ter uma vantagem maior do que indicam os levantamentos atuais. Em uma disputa apertada, poucos pontos percentuais seriam suficientes para alterar o resultado.
Entretanto, a diferença entre pesquisas e urnas não significa necessariamente que eleitores estejam escondendo suas preferências. O fenômeno também pode decorrer de mudanças de voto nos últimos dias, dificuldades de amostragem e diferenças no comparecimento. Além disso, no segundo turno de 2022, quatro institutos estimaram os resultados finais dentro de suas margens de erro. Portanto, o desempenho anterior não garante que a subestimação se repetirá.
Lula apresenta recuperação nas pesquisas
A segunda interpretação considera a aproximação de Lula nas últimas semanas. No Datafolha, o presidente passou de 48% dos votos válidos em 8 de outubro para 49% no dia 15 e 50% no dia 22. Flávio percorreu o caminho inverso, recuando de 52% para 51% e, posteriormente, 50%.
Embora as oscilações estejam dentro da margem de erro, a sequência sugere uma redução gradual da distância entre os candidatos.
O movimento também apareceu no BTG/Nexus, em que a diferença caiu de 3,2 para 0,6 ponto percentual entre 13 e 19 de outubro. Na AtlasIntel divulgada no dia 19, Lula avançou de 45,7% para 47,6% dos votos totais em relação à rodada anterior, enquanto Flávio recuou de 51,1% para 49,8%.
Se essa recuperação continuar até domingo, o presidente poderá alcançar os votos necessários para vencer. A tendência, porém, não é uniforme entre os institutos.
Na Quaest, a rejeição a Lula caiu de 53% para 47%, mas sua intenção de voto estimulada permaneceu em 44%. Já na Palver, o presidente oscilou de 49% para 48%, enquanto Flávio manteve 50%. Os resultados indicam que a aproximação ocorre em ritmos diferentes e não aparece em todas as pesquisas.
Por isso, a identificação de tendências exige acompanhar levantamentos realizados pelo mesmo instituto. Comparar pesquisas com metodologias diferentes pode produzir uma impressão equivocada de crescimento ou queda. Também não há garantia de que uma trajetória observada nas últimas semanas continue até a votação.
Dois cenários possíveis para domingo
As duas interpretações não são necessariamente contraditórias. Lula pode estar recuperando votos enquanto Flávio continua subestimado pelos levantamentos. Nesse cenário, a questão será saber se o crescimento do presidente será suficiente para superar uma eventual vantagem do adversário que ainda não aparece integralmente nas pesquisas.
O comparecimento às urnas também poderá influenciar o resultado. Diferenças na abstenção entre os grupos de eleitores podem alterar a relação entre as intenções de voto registradas e os votos efetivamente depositados.
A dois dias da eleição, Flávio mantém a liderança numérica na maioria dos levantamentos e o precedente de ter superado as estimativas no primeiro turno. Lula, por sua vez, encontra na aproximação registrada por parte dos institutos a possibilidade de reverter o resultado.
Os dados sustentam as duas leituras, mas não permitem determinar qual delas prevalecerá. A resposta virá das urnas neste domingo (25).
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