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ELEIÇÕES 2026

Abstenção tem maior queda desde 1989; veja recuo por Estado

Quase 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas no segundo turno. Abstenção caiu em 18 unidades da Federação, com destaque para Bahia e Pernambuco, mas aumentou em nove Estados.

Congresso em Foco

26/10/2026 | Atualizado às 12:36

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Quase 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas no segundo turno. Abstenção caiu em 18 unidades da Federação, com destaque para Bahia e Pernambuco, mas aumentou em nove Estados, principalmente no Norte.

A eleição presidencial de 2026 registrou a maior queda da abstenção entre o primeiro e o segundo turno desde a redemocratização, em 1989. A proporção de eleitores ausentes passou de 21,08%, em 4 de outubro, para 19,22%, neste domingo (25), uma redução de 1,86 ponto percentual. Em números absolutos, a quantidade de eleitores que deixaram de votar diminuiu em 2,96 milhões.

A queda histórica da abstenção coincidiu com a virada inédita de Lula (PT), primeiro candidato a reverter uma derrota no primeiro turno e vencer uma eleição presidencial no Brasil. O petista ampliou sua votação em 10,38 milhões de votos, passando de 53,88 milhões para 64,26 milhões. Flávio Bolsonaro (PL), que havia liderado a primeira etapa, ganhou 3,72 milhões de votos, chegando a 59,83 milhões. O crescimento de Lula foi quase três vezes maior que o do adversário, embora os dados não permitam determinar quantos eleitores que haviam se abstido no primeiro turno votaram em cada candidato.

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Abstenção maior em nove Estados

Levantamento do Congresso em Foco, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que a abstenção caiu em 17 Estados e no Distrito Federal, mas aumentou em nove unidades federativas. A Bahia registrou a maior redução proporcional, enquanto o Amapá apresentou a maior alta.

Mapa da abstenção no primeiro e no segundo turno.

Mapa da abstenção no primeiro e no segundo turno.Arte Congresso em Foco

Esta foi apenas a segunda eleição presidencial desde 1989 em que a abstenção diminuiu entre os dois turnos. A primeira ocorreu em 2022, quando o índice recuou de 20,95% para aproximadamente 20,59%, uma queda de 0,36 ponto percentual. Em 2026, a redução foi cerca de cinco vezes maior.

No primeiro turno, 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas. No segundo, foram 30.509.005. O aumento da participação ocorreu na disputa em que o presidente Lula (PT) foi reeleito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Sudeste lidera queda; Norte tem movimento contrário

A abstenção diminuiu em quatro das cinco regiões brasileiras. O Sudeste apresentou a maior redução proporcional, caindo de 22,70% para 20,24%, seguido pelo Sul, Nordeste e Centro-Oeste. O Norte foi a única região com crescimento das ausências. No Sul, o recuo foi de 20,46% para 18,19%, diferença de 2,27 pontos.

O Nordeste manteve a menor taxa de abstenção do país, com redução de 18,39% para 16,44%, enquanto o Centro-Oeste registrou queda de 21,70% para 20,03%. No Norte, o comportamento foi oposto: a proporção de ausentes aumentou de 19,43% para 21,21%, alta de 1,78 ponto percentual.

Bahia e Pernambuco têm maiores reduções

A Bahia liderou a queda da abstenção entre os Estados. A taxa passou de 19,97% para 16,71%, uma redução de 3,26 pontos percentuais. Pernambuco aparece em segundo lugar, com recuo de 18,17% para 15,18%, diferença de 2,99 pontos.

Em São Paulo, a abstenção diminuiu de 22,54% para 19,81%, queda de 2,73 pontos percentuais. Em números absolutos, o Estado teve a maior redução de ausências do país: aproximadamente 932 mil eleitores a menos deixaram de votar.

Também se destacaram Mato Grosso do Sul, com queda de 2,63 pontos percentuais, Paraná (2,53), Minas Gerais (2,48) e Rio Grande do Norte (2,32). O Ceará terminou o segundo turno com a menor abstenção do Brasil, de 13,89%, seguido por Pernambuco (15,18%) e Paraíba (15,54%). No Distrito Federal, o índice recuou de 18,90% para 17,30%, uma diferença de 1,60 ponto percentual.

Amapá, Roraima e Acre lideram aumentos

Na contramão da tendência nacional, a abstenção cresceu em nove Estados, sete deles localizados na região Norte. O Amapá registrou o maior aumento, de 8,06 pontos percentuais. A taxa subiu de 17,41% no primeiro turno para 25,47% no segundo. Em números absolutos, o total de ausentes passou de 100.426 para 146.935, acréscimo de 46.509 eleitores.

Roraima teve a segunda maior alta, de 17,12% para 23,15%, aumento de 6,03 pontos percentuais. No Acre, o índice passou de 20,43% para 26,08%, crescimento de 5,65 pontos. A abstenção também aumentou no Amazonas (1,51 ponto percentual), Pará (1,22), Tocantins (0,89), Maranhão (0,63), Rondônia (0,21) e Piauí (0,04).

O Acre terminou a eleição com a maior taxa de abstenção do país, seguido pelo Amapá e por Roraima. Em contrapartida, todos os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal, registraram queda.

Mobilização eleitoral

A redução histórica da abstenção ocorreu em uma eleição marcada pela mobilização das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro e pela ampliação do horário de votação em parte das seções eleitorais.

No domingo, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação da votação até as 19h nas seções que ainda estavam abertas às 17h. A decisão ocorreu após pedidos relacionados a dificuldades no transporte de eleitores e a problemas provocados pelas chuvas. Derrotado por uma diferença de mais de 4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro não reconheceu a vitória de Lula e afirmou que vai pedir a anulação do segundo turno.

Não há, porém, um levantamento oficial divulgado pelo TSE que permita determinar quantos votos foram efetivamente viabilizados pela decisão. Parte dos registros posteriores às 17h corresponde a eleitores que já estavam na fila e tinham direito de votar independentemente da prorrogação.

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