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OPOSIÇÃO
Congresso em Foco
27/10/2026 15:14
Após o aparecimento de rumores da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos para evitar as investigações da Polícia Federal, parlamentares próximos ao ex-candidato se manifestaram em sua defesa. Nas redes sociais, líderes e vice-líderes de seu bloco na Câmara acusam o governo de promover uma perseguição política contra Flávio.
As manifestações ocorreram nesta terça-feira (27), dois dias após a derrota de Flávio para o presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições. Na mesma data, terminou o prazo fixado pelo STF para que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal, em cumprimento à decisão que também o proibiu de viajar ao exterior.
O primeiro vice-líder da minoria na Câmara, Nikolas Ferreira (PL-MG), publicou no Instagram: "Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?"
Na mesma publicação, o deputado acrescentou: "Governo legitimamente eleito não persegue oposição, não faz censura e não reprime quem não o escolheu. Quem faz isso é ditador inseguro, sem sustentação que quer provar que é dono da casa que não lhe pertence".
O líder da minoria na Câmara, Gustavo Gayer (PL-GO), eleito senador para a próxima legislatura, escreveu no X: "O que virou o Brasil. Toda voz da oposição que se levante contra esse regime ditatorial tem que fugir do país. Viva a democracia."
O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição, também se manifestou em vídeo publicado no Instagram, adotando o mesmo tom dos demais líderes. "Como vamos falar que estamos em uma democracia onde o candidato Flávio, que perdeu as eleições de um domingo, na segunda-feira já é perseguido político? Como pode chamar isso de democracia? Está parecido com a Venezuela. Infelizmente, essa é a dura realidade."
Veja a fala:
Já o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), foi discreto, sem apontar diretamente ao tema. O deputado publicou uma foto de Flávio junto à esposa e filhas, com a descrição "eu apoio Flávio Bolsonaro e sua Família! Cotem comigo".
Caroline de Toni (PL-SC), vice-líder da minoria, também se somou ao discurso de perseguição. "Vamos recapitular o destino de quem ousa enfrentar o PT e disputar o poder no Brasil: Jair Messias Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, sob mandado de prisão no Brasil. E agora Flávio, que conseguiu deixar o país, mas que, se voltar, poderá ser preso. Ainda há quem não veja motivo para se preocupar com os rumos da nossa democracia?".
Fora das lideranças, Junio Amaral (PL-MG) endossou diretamente a suposta fuga. "Com regime de exceção não se brinca. Não havia outra opção, a perseguição já estava em andamento. Flávio Bolsonaro está em segurança, longe da ditadura brasileira. Fez o certo, meu irmão. Que Deus lhe abençoe a tenha piedade do Brasil", escreveu.
Rumores de fuga
O portal argentino Infobae publicou nesta terça-feira (27) que Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina usando sua carteira de identidade e seguido até Puerto Iguazú, de onde embarcaria em jato particular rumo aos Estados Unidos. A Polícia Federal acionou as autoridades argentinas para verificar a informação.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina contestou o relato e informou que não há registro da entrada do senador no país. O órgão também realizou verificações sobre a aeronave citada na reportagem. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou que ele tivesse deixado o Brasil.
Na noite de domingo (25), após a derrota de Flávio no segundo turno, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibiu de viajar ao exterior. A ordem integra investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. O prazo para entrega dos documentos terminou nesta terça-feira.
Na segunda-feira (26), Flávio criticou a decisão judicial e declarou que permaneceria no Brasil. "Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar."
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