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Congresso em Foco
28/10/2026 20:14
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), defendeu nesta quarta-feira (28) que os Estados Unidos não interfiram nos assuntos internos do Brasil. A declaração ocorreu após o presidente americano, Donald Trump, dizer que não pretende se envolver na disputa em torno da carta na qual Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reivindicou a vitória nas eleições presidenciais.
Para Marinho, "quem tem que resolver os problemas do Brasil são os brasileiros". O senador avalia como natural que Trump se posicione sobre a questão, contanto que isso não se transforme em ação política.
"Ele tem todo o direito de opinar sobre política externa, como o Brasil tem o direito de opinar sobre política externa de qualquer outro país, opinar sobre eleições, mas eu espero, de fato, que não haja nenhuma intervenção no processo interno do Brasil", declarou.
Comentários de Trump
Trump havia sido questionado na última tarde se concordava com a reivindicação de Flávio de ser o legítimo vencedor das eleições. O presidente americano evitou endossar a declaração e confirmou que seu governo autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos. "Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo", respondeu.
O republicano já havia lançado suspeitas sobre a legitimidade do segundo turno das eleições brasileiras. Na terça-feira (27), também alegou que o pleito foi "estranho", mas reiterou que gosta pessoalmente de Lula e que governa "sobre os Estados Unidos, e não o Brasil".
Fuga e carta de Flávio
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), dois dias após ser derrotado pelo presidente Lula no segundo turno das eleições presidenciais. Acompanhado da mulher e das duas filhas, atravessou a fronteira com a Argentina e embarcou em avião particular que fez escala no Equador antes de chegar a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28).
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal e proibir sua saída do território nacional. A decisão foi tomada no âmbito de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. O senador deixou o país sem cumprir a determinação judicial.
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio divulgou carta na qual se apresentou inicialmente como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil", contestou a vitória de Lula e acusou autoridades brasileiras de perseguição política. Posteriormente, alterou o documento, substituindo a autodeclaração de presidente eleito pela expressão "líder do Brasil".
O senador justificou sua saída do país pelo receio de sofrer novas restrições judiciais e agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento. "Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil", escreveu.
Flávio também dirigiu mensagem a parlamentares e governadores aliados, incluindo Rogério Marinho, a quem chamou de seu candidato à presidência do Senado. "Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr", declarou.
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