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ESTADOS UNIDOS

Midterms: Eleições dos EUA na próxima terça testam força de Trump

A votação de terça-feira poderá alterar a maioria nas duas Casas do Congresso e limitar a aprovação de propostas da Casa Branca.

Congresso em Foco

29/10/2026 14:24

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Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3) para participar das eleições legislativas de meio de mandato, as chamadas midterms. A votação definirá a composição do Congresso americano para os dois últimos anos do segundo mandato do presidente Donald Trump, que terá sua força política testada diante da possibilidade de perda da maioria parlamentar do Partido Republicano.

As midterms acontecem a cada quatro anos, exatamente na metade do mandato presidencial. Os americanos escolhem os integrantes da Câmara dos Representantes e parte do Senado, além de governadores e autoridades estaduais. Embora o presidente não participe diretamente da disputa, o desempenho de seu partido serve como indicador da aprovação popular ao governo e pode alterar o equilíbrio de poder em Washington D.C.

Atualmente, os republicanos controlam, mesmo que em posição apertada, as duas Casas do Congresso, condição que favoreceu a aprovação de propostas defendidas por Trump desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Os democratas, principal força de oposição, precisam conquistar quatro cadeiras adicionais em cada Casa para assumir o controle. O resultado determinará a capacidade do presidente de aprovar novas leis e negociar com os parlamentares até o encerramento de seu mandato, em janeiro de 2029.

Resultado das Midterms definirá a força política de Trumo nos dois próximos anos.

Resultado das Midterms definirá a força política de Trumo nos dois próximos anos. White House/Divulgação

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Como funcionam

A Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira, terá todas as suas 435 cadeiras em disputa. Cada integrante é eleito para mandato de dois anos, por votação direta em distrito eleitoral próprio. O partido que alcançar pelo menos 218 cadeiras terá a maioria e poderá eleger o presidente da Casa, responsável pela condução dos trabalhos legislativos.

No Senado, serão disputadas 35 das 100 cadeiras, sendo 33 previstas no calendário regular e duas decorrentes de eleições especiais para preencher vagas abertas. Os senadores cumprem mandatos de seis anos, com renovação de um terço da Casa a cada dois anos. Cada Estado possui dois representantes, independentemente de sua população.

Para controlar o Senado, os democratas precisam alcançar 51 cadeiras, pois o vice-presidente JD Vance, republicano, tem o poder de desempatar votações.

Também serão escolhidos governadores em 36 dos 50 Estados, além de representantes de legislativos estaduais e autoridades locais. A organização do processo eleitoral cabe a cada Estado, que estabelece as regras de votação presencial, antecipada e pelo correio. Os eleitos para o Congresso iniciarão seus mandatos em janeiro de 2027, quando terá início a nova legislatura.

Impacto dos resultados

Caso os republicanos preservem o controle da Câmara e do Senado, Trump poderá manter sua base de sustentação legislativa durante a segunda metade do mandato. A maioria permitiria ao partido continuar à frente das comissões parlamentares e facilitar a tramitação de propostas orçamentárias, tributárias e relacionadas à imigração. No Senado, os aliados do presidente também conservariam o controle sobre a aprovação de indicados para cargos no governo e no Judiciário.

A vitória democrata na Câmara, por outro lado, permitiria à oposição bloquear propostas do governo e ampliar sua influência nas negociações orçamentárias. O partido passaria a presidir comissões responsáveis pela fiscalização do Executivo, com poderes para convocar autoridades, requisitar documentos e abrir investigações sobre a administração federal. A Casa também poderia iniciar processos de impeachment, mas sua conclusão depende de julgamento e condenação pelo Senado.

Uma mudança de maioria no Senado teria consequências adicionais para a Casa Branca. A Constituição americana exige a aprovação dessa Casa para a nomeação de ministros, embaixadores, juízes federais e integrantes da Suprema Corte. Com os democratas no comando, Trump enfrentaria maiores dificuldades para preencher esses postos e dependeria de acordos com a oposição para viabilizar suas indicações.

Mesmo diante de uma derrota nas duas Casas, Trump conservaria suas atribuições presidenciais, incluindo o poder de vetar projetos aprovados pelo Congresso e de editar ordens executivas dentro dos limites legais. O resultado também influenciará a disputa presidencial de 2028, ao alterar a composição das lideranças partidárias e as condições políticas para a sucessão na Casa Branca.

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Pesquisas recentes

As pesquisas eleitorais mais recentes indicam vantagem do Partido Democrata na disputa pelo Congresso. Levantamento do instituto Ipsos, realizado entre 22 e 26 de outubro, mostrou que 53% dos eleitores com maior probabilidade de comparecer às urnas pretendem votar em candidatos democratas para a Câmara, contra 44% favoráveis aos republicanos. A diferença de nove pontos percentuais também aparece em outros levantamentos nacionais divulgados na reta final da campanha.

A média de pesquisas calculada pelo agregador Silver Bulletin, atualizada nesta quinta-feira (29), aponta vantagem democrata de 8,7 pontos percentuais. O cenário acompanha a baixa popularidade de Trump, que recebeu 32% de aprovação em levantamento Reuters/Ipsos divulgado na segunda-feira (26).

Na Câmara dos Representantes, o modelo de projeções eleitorais do Decision Desk HQ calcula em 80% a probabilidade de os democratas conquistarem a maioria. A estimativa aponta para a eleição de 238 representantes do partido, acima das 218 cadeiras necessárias para controlar a Casa. A vantagem coloca os republicanos diante da possibilidade de perder o comando de uma das principais instituições de sustentação do governo.

No Senado, a disputa permanece mais equilibrada. O Decision Desk HQ calcula em 60% a probabilidade de vitória democrata, com projeção de 52 cadeiras para o partido e seus aliados. Pesquisas estaduais mostram diferenças pequenas em disputas decisivas, especialmente no Texas, Ohio, Alasca e Maine, onde candidatos democratas aparecem à frente por margens próximas de dois a quatro pontos percentuais. O resultado dessas eleições poderá determinar se Trump enfrentará uma oposição majoritária em apenas uma das Casas ou em todo o Congresso.

Gerrymandering

A preferência nacional por determinado partido não garante a conquista da maioria parlamentar. As eleições dependem dos resultados individuais de cada distrito. A definição do número e tamanho dos distritos para isolar eleitores do grupo minoritário, por iniciativa dos parlamentos locais, torna mais imprevisível o resultado.

Essa prática, conhecida como gerrymandering, permite ao grupo majoritário no Legislativo estadual concentrar eleitores adversários em poucos distritos ou distribuí-los entre vários, reduzindo suas chances de eleger representantes.

Dessa forma, o partido beneficiado pode conquistar mais cadeiras no pleito seguinte mesmo sem obter a maioria dos votos no Estado. Normalmente, os mapas eleitorais são redesenhados a cada dez anos, após a realização do censo populacional.

Desde as eleições de 2024, nove Estados passaram a utilizar novos mapas distritais: Texas, Califórnia, Flórida, Louisiana, Carolina do Norte, Ohio, Tennessee, Alabama e Utah. A atual onda de alterações começou após Trump incentivar governos republicanos a redesenhar os distritos para ampliar a bancada do partido.

No Texas, as mudanças podem favorecer a eleição de até cinco republicanos adicionais. Governos de outros Estados, como Flórida e Carolina do Norte, seguiram estratégia semelhante. Em resposta, os democratas aprovaram na Califórnia novos limites que podem garantir até cinco cadeiras adicionais ao partido. Em Utah, uma alteração determinada pela Justiça também pode favorecer os democratas.

O impacto dessas alterações pode ser decisivo para a definição da maioria na Câmara. Cerca de 24 milhões de potenciais eleitores votarão em distritos diferentes daqueles utilizados em 2024, cerca de 10% do eleitorado americano.

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