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MIDTERMS
Congresso em Foco
30/10/2026 14:38
O papa Leão XIV enviou seu voto por correspondência para as eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça-feira (3). A informação foi confirmada nesta sexta-feira (30) pela Sala de Imprensa da Santa Sé. Natural de Chicago, no Estado de Illinois, o pontífice é o primeiro americano a comandar a Igreja Católica Romana e mantém sua cidadania de origem, que lhe assegura o direito de participar das eleições do país.
Esta é a primeira vez na história que há registro confirmado de um papa em exercício participando de eleição democrática. Leão XIV também se tornou o primeiro chefe de Estado estrangeiro com participação comprovada em eleição americana. Além de líder religioso, ele exerce a chefia de Estado do Vaticano, monarquia que não realiza eleições políticas populares.
A Santa Sé informou que a participação eleitoral do pontífice segue o comportamento que ele mantinha antes de assumir o papado, em maio de 2025. O comunicado destacou que Leão XIV "exerceu seu direito de voto como cidadão dos Estados Unidos, sempre que teve a possibilidade".
O pontífice, nascido Robert Francis Prevost, mantém seu registro eleitoral em New Lenox, município próximo de Chicago, onde reside seu irmão John. Registros eleitorais de Illinois mostram que ele participou de eleições presidenciais e legislativas anteriores, além de votações internas dos partidos Democrata e Republicano. Seu último voto em eleição presidencial ocorreu em 2024, antes de sua escolha para o papado.
Leão XIV também possui cidadania peruana, adquirida durante os anos em que viveu no Peru como missionário e bispo. A Santa Sé confirmou que ele participou das eleições daquele país quando estava habilitado. O comunicado acrescentou: "O Santo Padre manifesta sua convicção a respeito do direito e do dever dos cidadãos de participar dos processos democráticos."
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, renovarão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os americanos também escolherão governadores em 36 Estados. O resultado determinará a composição do Congresso nos dois últimos anos do segundo mandato do presidente Donald Trump.
Chefes de Estado com cidadania
Leão XIV não foi o primeiro chefe de Estado estrangeiro com cidadania americana durante o exercício do cargo. O ex-presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Mohamed Farmajo, governou o país entre 2017 e 2022 e manteve a nacionalidade dos Estados Unidos até agosto de 2019. Ele ainda era cidadão americano durante as eleições legislativas de 2018, período em que poderia exercer o direito ao voto desde que cumprisse os requisitos eleitorais.
Outro exemplo é o presidente do Equador, Daniel Noboa, nascido em Miami, na Flórida, em 1987. Ele assumiu a presidência equatoriana em 2023 e manteve sua cidadania americana durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2024. Naquele ano, a Secretaria de Comunicação da Presidência do Equador confirmou que Noboa "nasceu nos Estados Unidos e possui dupla nacionalidade". Não foram encontrados registros públicos que comprovem a participação eleitoral dos dois presidentes americanos durante o exercício de seus mandatos.
A legislação americana permite que cidadãos residentes no exterior votem nas eleições federais por correspondência, inclusive aqueles que possuem dupla nacionalidade. O exercício de cargo público em governo estrangeiro também não provoca automaticamente a perda da cidadania americana. Para que isso ocorra, é necessário demonstrar a intenção voluntária de renunciar à nacionalidade.
Midterms
As eleições legislativas dos Estados Unidos, conhecidas como Midterms, acontecem a cada quatro anos, na metade do mandato presidencial. A votação deste ano será realizada na terça-feira (3), dois anos após a eleição de Donald Trump para seu segundo mandato.
Neste ano, os eleitores renovarão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, com mandatos de dois anos, e escolherão 35 dos 100 integrantes do Senado. Também serão eleitos governadores em 36 Estados, além de representantes de legislativos estaduais e autoridades locais.
A votação definirá o equilíbrio de forças no Congresso durante os dois últimos anos do governo Trump. Atualmente, o Partido Republicano, do presidente, controla tanto a Câmara quanto o Senado. Uma eventual vitória dos democratas em qualquer das Casas poderá dificultar a aprovação de propostas do governo e ampliar a fiscalização parlamentar sobre o Executivo.
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