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PÓS-ELEIÇÃO
Congresso em Foco
31/10/2026 | Atualizado às 8:51
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou na noite desta sexta-feira (30) seu primeiro vídeo dos Estados Unidos após fugir do Brasil, contrariando uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibia de deixar o país. Na transmissão, o candidato derrotado à Presidência não explicou como organizou a saída, mas afirmou que poderá disputar uma nova eleição presidencial antes de 2030. Segundo ele, uma crise econômica poderá provocar a queda antecipada do presidente Lula (PT).
"Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso", declarou Flávio, ao mencionar a possibilidade de voltar a disputar a Presidência. O senador afirmou acreditar que a economia será o principal fator de desgaste de Lula. "O Brasil está fadado a quebrar", disse, sem apresentar dados que sustentassem a previsão. O presidente foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.
Em uma transmissão de aproximadamente 17 minutos, o senador relatou que decidiu deixar o país após ser intimado pela Polícia Federal, na segunda-feira (26), ao sair de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Disse que tomou a decisão com a esposa, Fernanda, sem comunicar previamente aos aliados.
"A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse. Até porque, se soubesse, a chance de dar errado seria maior", afirmou.
Apesar do relato, Flávio não esclareceu como atravessou a fronteira, quem organizou o deslocamento nem quais autoridades participaram da operação. Tampouco comentou a ajuda recebida de integrantes do governo americano, revelada pela imprensa.
Fuga pela Argentina e ajuda dos EUA
Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. A família atravessou a fronteira por Foz do Iguaçu (PR) e entrou na Argentina pela cidade de Puerto Iguazú. O senador utilizou seu passaporte italiano, obtido após o reconhecimento de sua cidadania europeia em 2023.
Da Argentina, embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador, onde houve uma escala para reabastecimento. A aeronave seguiu para Miami, na Flórida, onde pousou na manhã de quarta-feira (28). Para entrar nos Estados Unidos, Flávio utilizou seu passaporte diplomático brasileiro, embora o documento já tivesse sido cancelado pela Polícia Federal.
A viagem contrariou uma decisão de Moraes que proibiu o senador de deixar o país e determinou a entrega de seus passaportes, inclusive os de outras nacionalidades. Como Flávio não apresentou os documentos no prazo estabelecido, a PF cancelou seus passaportes brasileiros comum e diplomático. O documento italiano permaneceu válido.
A fuga contou com auxílio do governo de Donald Trump, segundo reportagens do The New York Times e do The Wall Street Journal. De acordo com o jornal americano, Jason Miller, integrante da área de comunicação da Casa Branca, providenciou o jato particular utilizado pela família. Trump também autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos por meio de um mecanismo de admissão temporária, conhecido como parole.
A Polícia Federal brasileira informou que investiga as circunstâncias do descumprimento das medidas judiciais. Não havia ordem de prisão contra Flávio quando ele deixou o Brasil.
Acusações ao STF e questionamentos à eleição
No vídeo, Flávio voltou a acusar o Judiciário de perseguição política e questionou a legitimidade do resultado eleitoral, sem apresentar provas de fraude. Disse que Lula teria cometido irregularidades durante a campanha e que algumas situações seriam "matematicamente impossíveis", sem demonstrar a alegação.
O senador afirmou ter decidido sair do Brasil para continuar se manifestando politicamente e evitar o que considera uma tentativa de silenciá-lo. "Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil", declarou.
Flávio é investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado Willer Tomaz e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a quem pediu US$ 34 milhões, segundo ele, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades e sustenta que a investigação tem motivação política.
A eventual queda de Lula, mencionada por Flávio, não provocaria automaticamente uma nova eleição presidencial. Em caso de impeachment, o vice-presidente Geraldo Alckmin assumiria o cargo. Pela Constituição, uma nova eleição só seria convocada em caso de vacância dos dois postos: se isso ocorrer nos dois primeiros anos do mandato, a escolha será feita diretamente pelos eleitores; nos dois últimos, caberá ao Congresso Nacional eleger os substitutos. Outra possibilidade é a cassação da chapa presidencial pela Justiça Eleitoral, hipótese sujeita a regras próprias.
Rogério Marinho para o Senado
Flávio também anunciou que pretende continuar exercendo influência política a partir dos Estados Unidos. Defendeu a eleição do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial, para a presidência do Senado em fevereiro de 2027. "A nossa trincheira, neste momento, será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal", afirmou.
Segundo Flávio, a eleição de Marinho seria fundamental para organizar a resistência ao próximo governo. O PL ampliou sua representação nas eleições de outubro e deverá reunir 29 dos 81 senadores a partir de fevereiro, tornando-se a maior bancada da Casa.
O senador encerrou a transmissão pedindo união aos apoiadores e afirmando que permanecerá politicamente ativo no exterior. Também voltou a dizer que não reconhece plenamente o resultado da eleição, embora a vitória de Lula tenha sido proclamada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reconhecida por observadores internacionais.
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