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ELEIÇÕES NOS EUA
Congresso em Foco
4/11/2026 | Atualizado às 7:40
O Partido Democrata conquistou a maioria da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições legislativas de terça-feira (3), impondo uma derrota histórica ao presidente Donald Trump. Os republicanos perderam o controle das duas Casas do Congresso, que passarão às mãos da oposição em janeiro de 2027, nos dois últimos anos do mandato presidencial.
A derrota dificultará a aprovação de projetos do governo, dará aos democratas poder para bloquear indicações presidenciais e ampliar investigações sobre a Casa Branca. O resultado também poderá influenciar a disputa pela sucessão de Trump, nas eleições presidenciais de novembro de 2028, ao alterar a correlação de forças entre os partidos e as articulações em torno de possíveis candidatos.
Segundo balanço divulgado na manhã desta quarta-feira (4), os democratas haviam conquistado 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos, com 68 distritos ainda indefinidos. No Senado, democratas e independentes aliados somavam 54 dos 100 assentos, contra 44 republicanos, restando duas disputas. Os números são parciais. Os resultados superaram as projeções feitas pelas pesquisas, que já apontavam a derrota de Trump.
O resultado inverte a correlação de forças em Washington. Antes da eleição, os republicanos controlavam o Senado com 53 cadeiras e também detinham a maioria na Câmara. Agora, Trump terá de negociar com a oposição para aprovar parte de sua agenda.
A vitória democrata incluiu pelo menos sete cadeiras do Senado anteriormente ocupadas por republicanos e mais de duas dezenas de distritos na Câmara. O avanço ocorreu em meio à insatisfação dos eleitores com o custo de vida, a guerra contra o Irã e a condução do governo.
Viradas históricas no Texas e no Kansas
No Texas, James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton e se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo Estado desde 1988, encerrando 38 anos de domínio republicano. No Kansas, Adam Hamilton conquistou uma cadeira que o partido não vencia desde 1932.
Os democratas também viraram assentos na Carolina do Sul, com Annie Andrews; em Ohio, com Sherrod Brown; e em Iowa, Maine e Carolina do Norte. Além disso, preservaram vagas importantes, como a de Jon Ossoff, reeleito na Geórgia, e a de Jeanne Shaheen, em New Hampshire, conquistada por Chris Pappas.
A vitória alcançou governos estaduais. Gina Hinojosa foi eleita governadora do Texas, encerrando 36 anos de domínio republicano. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms se tornou a primeira mulher negra eleita para governar o Estado.
O que muda para o governo Trump
Com maioria nas duas Casas, os democratas poderão controlar a pauta legislativa, comandar comissões, convocar integrantes do governo e abrir investigações parlamentares. Também terão condições de barrar indicações presidenciais, inclusive para a Suprema Corte, e dificultar projetos sobre imigração, impostos e gastos públicos.
A Câmara poderá ainda aprovar propostas de impeachment, mas a destituição do presidente dependeria de dois terços dos votos do Senado.
O controle do Congresso não garante, porém, a aprovação de toda a agenda democrata. No Senado, muitas propostas dependem de 60 votos para superar obstruções, embora existam exceções. Trump também conservará o poder de veto, cuja derrubada exige dois terços dos votos em cada Casa.
Como funcionam as eleições de meio de mandato
Conhecidas como midterms, essas eleições ocorrem na metade do mandato presidencial. A Câmara é renovada integralmente a cada dois anos, enquanto os senadores têm mandatos de seis anos, com renovação de aproximadamente um terço das cadeiras a cada eleição.
Em 2026, estavam em disputa os 435 assentos da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado, além de governos estaduais. O novo Congresso tomará posse em 3 de janeiro de 2027, com mandato até janeiro de 2029.
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