Um grupo de petistas ligados ao ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, divulgou oficialmente um documento em que critica a postura do partido durante a crise que atingiu o primeiro mandato do governo.
O documento, intitulado "Mensagem ao partido", foi divulgado esta tarde em Salvador, onde o partido comemora seus 27 anos. Além de Genro, estão entre os signatários do texto os governadores Wellington Dias (PI) e Ana Júlia Carepa e o deputado José Eduardo Cardozo (SP), entre outros.
"É verdade que a crise do nosso partido foi influenciada pela crise de perspectivas da esquerda mundial, no âmbito de uma forte hegemonia liberal, mas também o foi pela ausência entre nós de uma cultura republicana que reconheça os limites claros entre as funções do Partido, de um lado, e de outro, a ação de militantes que cumprem responsabilidades públicas", diz uma das passagens do documento.
Mais adiante, o grupo afirma: "O sistema político e eleitoral, movido pela forte concorrência entre candidatos avulsos, em geral bancados por vultosos gastos de campanha, ajudou a fragilizar a cultura partidária e expôs, mesmo os partidos que se reclamam do socialismo, a relações não-transparentes com os financiadores. O autoritarismo de grupo, em nosso meio, abrigado nestes expedientes, desconstituiu o debate político, a democracia interna e o diálogo entre posições; permitiu gestos de mandonismo burocrático e abriu espaços ao uso da força política do Estado para manter os controles no partido".
"A introdução de novas instâncias de gestão política e a abertura de um longo ciclo de debates democráticos, abertos a toda a militância, devem ser elementos de renovação da nossa cultura política e organizativa", defende o documento.
O texto não tem caráter oficial dentro do partido, mas deve ser debatido até a realização do congresso nacional do PT em julho. A reunião do diretório nacional deve aprovar, ainda hoje, uma resolução em que critica a política de juros do governo.
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