Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosRadarEleições 2026
  1. Home >
  2. Colunas >
  3. 2019: O risco da esquerda McNamara | Congresso em Foco

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News
LEIA TAMBÉM

Ricardo Cappelli

Lula ou Bolsonaro: quem se arrisca a cravar o resultado final?

Ricardo Cappelli

Ciro luta contra a história

Ricardo Cappelli

A eleição vai terminar?

Ricardo Cappelli

Bolsonaro é frio e autoritário, mas não idiota. Melhor não subestimá-lo

Ricardo Cappelli

Milagre natalino: união de esquerda e centro-direita contra Bolsonaro

2019: O risco da esquerda McNamara

Para Cappelli, esquerda corre risco de acabar como Robert McNamara: "Conversando consigo mesma enquanto Ho Chi Minh e Lê Duân preparam o golpe final"

Ricardo Cappelli

Ricardo Cappelli

27/12/2018 16:59

A-A+
COMPARTILHE ESTA COLUNA

Para Ricardo Cappelli, se esquerda continuar com

Para Ricardo Cappelli, se esquerda continuar com "discurso sectário e negação histérica de tudo", pode acabar como o ex-secretário de Defesa dos EUA durante a Guerra do Vietnã: "Conversando consigo mesma enquanto Ho Chi Minh e Lê Duân preparam o golpe final"[fotografo]Reprodução[/fotografo]
"A coisa humana normal a se fazer é pensar que seu inimigo pensa como você. Há uma história, apócrifa, que quando McNamara queria saber o que Ho Chi Minh estava pensando, ele entrevistava a si mesmo." "Então se torna um problema porque você tenta enviar mensagens que são racionais baseadas na sua noção de racionalidade, mas que nada têm a ver com a definição de racionalidade do outro lado. Então o que é irracional para nós, é totalmente racional para o outro lado." Estas palavras são de James Willbanks, conselheiro do exército norte americano, sobre os problemas enfrentados pelos EUA na Guerra do Vietnã e os limites do raciocínio do então secretário de defesa norte americano, Robert McNamara. A eleição de Bolsonaro é uma ruptura com o sistema de símbolos, códigos e valores que prevaleceram na política nas últimas décadas. Foi a derrota do “politicamente correto”. Suas atitudes, que parecem escandalosas, são consumidas com naturalidade por seus eleitores. “Ho Chi Minh e McNamara” vivem em racionalidades distintas. O Capitão rompeu com o presidencialismo de coalizão tão criticado pela esquerda “raiz-cheirosa”. Sinaliza ainda o fim do tripé macroeconômico criado por FHC e mantido por Lula e Dilma. Paulo Guedes defende privatizar a saúde e a educação e distribuir vouchers para os excluídos. Os mais pobres vão achar ruim cobrar mensalidade da classe média que pagou caros cursinhos e ocupa as vagas mais disputadas das universidades federais? O Czar da economia diz também que vai acabar com o bolsa empresário, com as desonerações e subsídios. Afirma que empresário no Brasil virou rentista, que se quiser ganhar dinheiro vai ter que voltar a empreender. Critica a conta com os juros da dívida. Segundo o futuro ministro, o Brasil paga “o absurdo de 100 bilhões de dólares, um Plano Marshall, uma reconstrução da Europa por ano”. Em seguida vai até a sede da Firjan e anuncia que vai cortar até 50% dos bilionários recursos do Sistema S. Bolsonaro diz que ser patrão no Brasil é “muito difícil”. O que os pequenos e microempresários acham disso? O país possui cerca de 7,7 milhões de MEI's, microempreendedores individuais. Claro que boa parte é a máscara do desemprego e do subemprego, da precarização nas relações de trabalho. Suponhamos que cerca de 5 milhões estejam realmente envolvidos com pequenos empreendimentos individuais. Eles aspiram crescer? Contratar funcionários? A fala de Bolsonaro para este público é a de um louco? No âmbito do enxugamento do Estado o repertório é vasto. Diz que vai acabar, por exemplo, com a EBC por que não pode gastar 1 bilhão/ano com uma programação que ninguém vê. Você assiste algo na TV Brasil ou em algum outro veículo da EBC? O povo assiste? O presidente eleito avança em temas polêmicos como a revisão da reserva Indígena Raposa Serra do Sol. Os militares, que conhecem bem a região, vivem repetindo que o índio pede educação, saúde, internet e não o isolamento quase sinônimo de esquecimento. Críticos das ONGs internacionais que infestam a Amazônia – muitas delas acusadas de biopirataria -, têm tudo para estabelecer ligação direta com os índios. Existe uma máxima na história. Terreno não ocupado é perdido. Raposa Serra do Sol é uma região riquíssima em nióbio, ouro, diamante e outros minerais valiosos. Bolsonaro falou em pagar royalties aos índios. Os índios ficarão contra ou apoiarão? De que lado ficará a esquerda? No campo das reformas, qual será a posição dos progressistas? Como resolver a questão do déficit crescente das previdências estaduais? Vai enfrentar as corporações de alguns poucos privilegiados que drenam boa parte dos recursos? Vai ficar apenas na negação? É cedo ainda para dizer o que é discurso e o que será colocado em prática pelo novo governo. Algumas das medidas anunciadas apresentam contradições com os setores e interesses que financiaram a vitória. Apesar disso, alguns economistas progressistas acreditam que podemos ter um período longo de juros e inflação baixa, favorecendo a retomada do crédito e do consumo, a geração de empregos e um crescimento da ordem de 3%. Se o desastre apocalíptico desejado não vier e mantiver o discurso sectário, de negação histérica de tudo, o risco da esquerda ficar falando apenas para 20% do eleitorado é imenso. Pode acabar como McNamara. Conversando consigo mesma enquanto Ho Chi Minh e Lê Duân preparam o golpe final.

Do mesmo autor:

Queiroz deixou o arbítrio nu

Vetar Renan como alternativa ao bolsonarismo é outro erro

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Bolsonaro esquerda Jair Bolsonaro Ricardo Cappelli governo Bolsonaro McNamara Robert McNamara

Temas

Governo
COLUNAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES