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27/10/2019 | Atualizado 10/10/2021 às 16:39

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O Brasil criou 196.966 postos de trabalho com carteira assinada no mês de abril. A informação foi divulgada nesta segunda (6), pelo Caged. Foto: Reprodução

O Brasil criou 196.966 postos de trabalho com carteira assinada no mês de abril. A informação foi divulgada nesta segunda (6), pelo Caged. Foto: Reprodução
Dia desses meditava sobre a “economia informal”. Há, em torno dela, uma série de preconceitos - principalmente por parte do denominado “mundo das leis”, nele incluída a administração pública. Mas teriam eles algum fundamento? > Apoiada por grupo bilionário, escola de concursos ensina tortura a futuros policiais Fala-se, por exemplo, que a atividade econômica informal é de pequena importância dentro do cenário macroeconômico. Nada mais falso! Pelo mundo afora até 50% do PIB dos países vem deste setor - que, não por acaso, começa a receber estímulos oficiais em lugares tão distintos como Holanda e Vietnam. Vejamos o caso do nosso país: nos idos de 2016, segundo levantamento realizado pela FGV, o mercado informal atingiu a espantosa marca de 16,3% do PIB - mais, portanto, do que a participação das regiões Norte (5,8%), Nordeste (12,3%) e Centro-Oeste (9,5%). Uma segunda forma de preconceito vem da afirmação de que os trabalhadores informais seriam pobres e teriam formação educacional deficiente. Que inverdade! No Brasil, por exemplo, 7% da denominada “classe média” trabalham na informalidade. No Vietnam, 30%. Na Costa do Marfim, 40%. São trabalhadores já bastante distantes da linha da pobreza, cujo poder aquisitivo não deve ser desconsiderado. Aliás, por falar em “desconsiderar”, como ignorarmos o fato de que 43% dos brasileiros no mercado de trabalho estão em situação informal? Este dado, apurado pelo IBGE em 2018, deveria nos servir de sério alerta. Como explicar-se este quadro? De acordo com dados colhidos pelo Banco Mundial, sobre a realidade brasileira, em sua origem estariam principalmente a estabilidade das regras jurídicas e os elevados índices de criminalidade - além, é claro, dos óbvios e tradicionais problemas de excesso de burocracia e carga tributária insuportável. Dois dados simples mas bastante sérios: no Brasil o esforço para garantir-se o cumprimento de um contrato consome, em média, 620 dias - na China, apenas 300. Na Austrália abre-se uma empresa em dois dias - no Brasil em até 152, três vezes a média mundial. Só superamos, neste quesito, o Suriname, a Guiné-Bissau, o Haiti, o Laos e o Congo. Pois é. Talvez seja o momento de, ultrapassando as barreiras da arrogância e da insensibilidade, olharmos com mais carinho para estes nossos irmãos, amparando-os e legalizando-os— afinal, eles só querem o direito de trabalhar em paz!
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emprego PIB Pedro Valls Feu Rosa economia informal mercado informal

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