Às vésperas de iniciar suas operações no Brasil, anunciada para próxima quinta-feira (30), a empresa chinesa de delivery Keeta faltou ao debate da Comissão Especial sobre Regulamentação dos Trabalhadores por Aplicativos da Câmara dos Deputados. O diretor de Assuntos Governamentais da Keeta, Fernando Vieira, estava confirmado na lista de participantes da audiência pública nesta terça-feira (28), mas não compareceu.
A ausência foi anunciada pelo relator do projeto, Augusto Coutinho (Republicanos-PE), no início da audiência. É a segunda vez que a Keeta cancela participação.
Fontes ouvidas pelo Congresso em Foco informaram que um representante foi convidado para o debate com empresas de transporte de passageiros e encomendas, realizada em 14 de outubro, mas pediu adiamento para esta terça-feira (28), quando novamente se ausentou.
Na China, um dos países em que é mais atuante, a empresa foi alvo de greves de entregadores por melhores condições de trabalho, segundo a Federação Brasileira dos Motociclistas Profissionais (Febramoto). As manifestações expuseram relatos de jornadas longas, baixa remuneração e pressão por produtividade, práticas criticadas por sindicatos e entidades internacionais.
No Brasil, a Keeta também aparece ligada a um caso de investigação policial. A Polícia Civil de São Paulo realizou buscas e apreensões em investigação que apura se ex-funcionários do iFood venderam dados da empresa para consultorias associadas à Keeta.
A empresa, portanto, já estreia sob desconfiança. No momento em que poderia se colocar à disposição para debater a regulação do trabalho por aplicativos, simplesmente não compareceu à audiência pública que discute exatamente esse tema.
Regulação em andamento
Com base formada no diálogo, a Comissão Especial buscou levar a visão de todos os envolvidos ao debate, de especialistas a usuários, empresas e trabalhadores. Nas 12 reuniões promovidas desde a formação do colegiado, em agosto, 60 convidados foram ouvidos.
O texto, que deve ser votado na Câmara em novembro, pretende abranger todas as formas de trabalho intermediado por aplicativos. Além das já conhecidas Uber, 99 e iFood.
Na semana passada, a comissão convidou, em tentativa frustrada, representantes de empresas que intermediam outros tipos de serviço, como GetNinjas, Dog Hero e Workana.