Notícias

Em gesto a Motta e ao União, Lula nomeia Gustavo Feliciano no Turismo

Novo ministro foi indicado por Hugo Motta e pelo União Brasil. Presidente busca apaziguar relação com o presidente da Câmara e o partido, que havia rompido com o governo.

19/12/2025
Publicidade
Expandir publicidade

O presidente Lula confirmou a nomeação de Gustavo Feliciano como novo ministro do Turismo. A posse do ex-secretário estadual de Turismo e Desenvolvimento Social da Paraíba está marcada para a próxima terça-feira (23). A escolha vai além de uma simples troca na Esplanada dos Ministérios: a indicação integra a estratégia do governo para reduzir tensões com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e reabrir canais de diálogo com o União Brasil, partido que havia rompido com o Planalto.

Aliado político e amigo pessoal de Hugo Motta, Feliciano foi apresentado por Lula como o nome escolhido para a pasta em reunião no Palácio do Planalto, na quinta-feira (18), no lugar de Celso Sabino. Entre os presentes ao encontro, estavam o próprio presidente da Câmara e o líder do União na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA). Ao anunciar a decisão, Lula destacou que o novo ministro terá liberdade para montar sua equipe e cobrou dedicação e resultados.

Assista ao anúncio:

"Quando você receber o Ministério, você vai montar o seu time. Eu jamais indicaria alguém para jogar no seu time. Você é que vai pegar a bola e vai ter que jogar", afirmou Lula. "O que eu espero de você é muito trabalho, muita dedicação e que você possa construir uma biografia nacional de bons serviços prestados ao Brasil."

A troca encerra um impasse aberto após o União Brasil expulsar Celso Sabino por descumprir a decisão partidária de deixar o governo. A legenda havia determinado que seus filiados entregassem cargos no Executivo depois do rompimento com o Planalto, mas Sabino resistiu, foi punido e acabou afastado do ministério. Em seguida, o partido passou a reivindicar novamente o comando da pasta, o que abriu espaço para a negociação que resultou na indicação de Feliciano.

Hugo Motta: "Me sinto contemplado"

Com a escolha, Lula atende a dois objetivos simultâneos: prestigia Hugo Motta, peça-chave na relação do governo com a Câmara, e sinaliza disposição para recompor pontes com o União Brasil, apesar do distanciamento político provocado pela federação com o PP.

Hugo Motta comemorou publicamente a nomeação do conterrâneo. "Para nós, é importante este momento. Eu me sinto contemplado pela indicação do Gustavo, porque o conheço e sei que vai ajudar o governo e fazer um bom trabalho no Ministério", declarou o deputado, ao lado de Lula e do futuro ministro.

Gustavo Feliciano prometeu empenho total à frente da pasta. "Vou fazer de tudo para conduzir o turismo no país, sabendo o tamanho do desafio. Não vai faltar dedicação, esforço, trabalho e suor para o senhor e para o seu governo", afirmou ao presidente.

Mesmo afastado do cargo, Celso Sabino adotou um tom conciliador e disse que seguirá atuando no Congresso em defesa da agenda do Executivo. "Ele tem uma missão pela frente e vai ter todo o nosso apoio. Vamos seguir defendendo a agenda do governo, que é a agenda do país", afirmou. Sabino reassumirá o mandato de deputado federal pelo Pará.

O novo ministro é filho do deputado Damião Feliciano (União-PB) e da ex-vice-governadora da Paraíba Lígia Feliciano (União). A família tem histórico de vínculos com a esquerda: ambos foram filiados ao PDT entre 2007 e 2023. Lígia foi vice dos ex-governador Ricardo Coutinho e do atual governador João Azevêdo (PSB), em seu primeiro mandato. "Eu já disse ao meu filho Gustavo: como político, você vai lutar pela reeleição do presidente", afirmou Damião a Lula durante a reunião.

Da esquerda para a direita: Pedro Lucas, líder do União, Hugo Motta, Gustavo Damião, Lula e Damião Feliciano, deputado e pai do novo ministro do Turismo.Ricardo Stuckert/PR

Reaproximação calculada

A mudança no Turismo ocorre em um momento delicado da relação entre o Planalto e o União Brasil. O partido decidiu romper com o governo após fechar federação com o PP, movimento que reforçou o afastamento do campo lulista e sinalizou a intenção de disputar as eleições de 2026 na oposição.

Apesar disso, a nomeação de Gustavo Feliciano abriu espaço para um discurso mais cauteloso dentro da legenda. O líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas (MA), afirmou que o partido está disposto a manter o diálogo com o governo. "Que a gente possa avançar esse diálogo cada vez mais. O União está aberto a participar das grandes decisões do país", disse ao presidente durante o ato de confirmação da nomeação.

A disputa presidencial de 2026 segue como pano de fundo dessas movimentações. Uma das principais lideranças do União Brasil, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, enfrenta resistências internas dentro da própria federação com o PP para avançar com sua pré-candidatura ao Planalto. Caso o partido decida apoiar a reeleição de Lula — cenário ainda incerto —, Caiado pode buscar outra legenda para viabilizar sua candidatura.

Atualmente, o União Brasil foi responsável pela indicação de outros dois ministros, nenhum deles filiado formalmente ao partido. Waldez Góes, licenciado do PDT, assumiu o Ministério da Integração Regional por indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Já Frederico Siqueira foi nomeado ministro das Comunicações em abril, substituindo Juscelino Filho (União-MA), que deixou o cargo após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por supostas irregularidades em emendas parlamentares.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos