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Após ação da PF, Castro exonera chefe do Rioprevidência

Ex-dirigente deixou o cargo após renúncia anunciada no mesmo dia em que a PF cumpriu mandados de busca e apreensão.

26/1/2026
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O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), exonerou o advogado Deivis Marcon Antunes do cargo de diretor-presidente do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência). O ato foi publicado em edição do Diário Oficial da última quinta-feira (23), um dia após Antunes anunciar sua renúncia ao posto, em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal.

A saída ocorreu no mesmo dia em que o agora ex-dirigente foi alvo da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF para apurar suspeitas de operações financeiras irregulares envolvendo recursos do fundo de previdência dos servidores estaduais. A ação foi autorizada pela 6ª Vara Federal Criminal e teve como foco operações que teriam exposto o patrimônio da autarquia a "risco elevado e incompatível com sua finalidade", segundo a corporação.

Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro confirmou saida de presidente do Rioprevidência.Charles Sholl/Brazil Photo Press/Folhapress

Além de Antunes, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-diretor de Investimentos do Rioprevidência Eucherio Lerner Rodrigues e o ex-diretor interino (ou ex-gerente) de Investimentos, Pedro Pinheiro Guerra Leal, que já haviam deixado os cargos após o surgimento das suspeitas. Mandados também foram cumpridos na sede do Rioprevidência.

Na residência de Antunes, os agentes apreenderam um veículo de luxo blindado, R$ 7 mil em espécie, um pen drive, um relógio e documentos que serão submetidos à perícia. Já na casa de Eucherio Rodrigues, foram recolhidos R$ 3,5 mil em dinheiro, um veículo de luxo, celulares, notebooks, pen drives, HDs e documentos.

Desde novembro do ano passado, a Polícia Federal investiga a aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões do Rioprevidência em títulos do Banco Master, na modalidade de letras financeiras. Ao todo, teriam sido realizadas nove operações entre novembro de 2023 e julho de 2024. Segundo a PF, há indícios de que dirigentes do fundo e do banco possam ter cometido crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.

De acordo com informações divulgadas pelo Estadão/Broadcast, Antunes já tinha conhecimento da possibilidade de ser alvo de uma operação da Polícia Federal e teria deixado o país no dia 15 de janeiro. Os agentes que foram à residência dele nesta quinta-feira não o encontraram, e o paradeiro do ex-dirigente é desconhecido.

As investigações também apontam que o Rioprevidência vinha tentando reverter as aplicações feitas em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Os papéis, emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, têm vencimentos previstos até 2033, e o fundo negocia a substituição dos títulos por precatórios federais.

Antes da renúncia e da exoneração de Deivis Marcon Antunes, o Rioprevidência havia negado qualquer irregularidade nas operações sob investigação e afirmou que o pagamento de aposentadorias e pensões aos beneficiários do fundo ocorre "normalmente".

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