Notícias

Lula e Trump discutem Conselho da Paz e acertam visita a Washington

Lula condiciona eventual adesão brasileira à inclusão da Palestina e a foco no conflito em Gaza.

26/1/2026
Publicidade
Expandir publicidade

O presidente Lula conversou por telefone nesta segunda-feira (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o convite para que o Brasil integre o Conselho da Paz, iniciativa inaugurada pelo governo americano na semana passada durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Lula não deu uma resposta definitiva, mas apresentou parâmetros que podem orientar uma eventual adesão brasileira.

Os dois líderes também concordaram em realizar uma reunião presencial em Washington, em fevereiro, após a visita programada de Lula à Índia e à Coreia do Sul. Caso se confirme, será o terceiro encontro entre os presidentes: o primeiro ocorreu em setembro, durante a Assembleia-Geral da ONU, e o segundo, em outubro, na Malásia.

Presidentes saudaram a retomada de relações entre Brasil e EUA no último semestre.Ricardo Stuckert/PR

"Ao comentar o convite formulado ao Brasil para que participe do Conselho da Paz, Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina. Nesse contexto, reiterou a importância de uma reforma abrangente das Organização das Nações Unidas (ONU), que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança", informou o Planalto em nota.

Lula também reforçou o interesse em firmar uma parceria bilateral para o enfrentamento do crime organizado. A iniciativa apresentada pelo governo brasileiro em dezembro prevê colaboração em investigações contra grupos envolvidos em lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas. Os presidentes também abordaram a situação da Venezuela, com um apelo de Lula para que seja preservada a paz na região.

Os dois mandatários ainda saudaram a reaproximação entre os governos desde o primeiro encontro na ONU, com avanços desde então na revogação de tarifas de importação. "O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo", informou o Palácio.

Conselho da Paz

O Conselho da Paz proposto por Trump foi apresentado inicialmente como um órgão responsável por fiscalizar o cumprimento de um eventual acordo de paz entre Israel e o Hamas. No entanto, sua inauguração oficial, na última segunda-feira (19), indicou um escopo mais amplo: a carta de fundação não faz referência direta a nenhum dos dois lados do conflito.

Em vez disso, o documento propõe que o colegiado atue como um fórum global de promoção da paz em áreas de conflito, em moldes semelhantes aos da ONU, mas com a concentração de amplos poderes sob a liderança dos Estados Unidos e do presidente americano.

A iniciativa contou com a adesão de mais de 20 países, mas foi recebida com preocupação por representantes das principais potências mundiais. Todos os membros do Conselho de Segurança da ONU foram convidados, mas nenhum aceitou participar. O presidente da França, Emmanuel Macron, recusou oficialmente a proposta.

O Brasil está entre os países convidados a integrar o conselho, com a sinalização de que teria um "grande papel" no órgão. Lula, no entanto, optou por uma postura cautelosa, evitando tanto a aceitação quanto a rejeição imediata do convite e mantendo conversas sobre o tema com representantes de outros países convidados.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos