Nos últimos dias, a repercussão da violência cometida contra o cachorro Orelha em Santa Catarina chegou ao Congresso e parlamentares se manifestaram sobre o caso nas redes sociais. O animal foi agredido por um grupo de adolescentes em Praia Brava, no norte de Florianópolis (SC), e precisou ser submetido à eutanásia.
Na segunda-feira (26), a deputada Erika Hilton (Psol-SP) chamou o episódio de inaceitável e reiterou que seu mandato seguirá atento ao caso e às investigações.
Erika Hilton afirmou que, além dos adolescentes, a Polícia Civil de Santa Catarina investiga três adultos também suspeitos do crime de coação, por impedirem ou atrapalharem o andamento das investigações.
"O maltrato contra animais é inaceitável, e mais inaceitável ainda é a possibilidade de que os responsáveis por algo tão bárbaro sejam protegidos em razão do saldo bancário de seus pais."
O deputado Kim Kataguiri (União-SP) também criticou o ocorrido. Em postagem no X na segunda-feira (26), pediu que seus seguidores impulsionassem a publicação para que chegassem às testemunhas do crime.
Kim Kataguiri chamou os quatro adolescentes suspeitos de agredirem Orelha de "psicopatas mirins". "Que educação os pais deram para esses moleques?", questionou o parlamentar.
Conhecido por ligação na causa animal, o deputado Delegado Bruno Lima (PP-SP) fez uma série de publicações da rede social X (antigo Twitter). Bruno Lima pediu a seus seguidores que subissem a hashtag #JustiçaPorOrelha.
No sábado (24), o parlamentar demonstrou apoio à população local, que realizou uma manifestação reivindicando justiça pela morte do animal. "O protesto na Praia Brava é o grito de um povo que não aguenta mais tanta violência", escreveu Bruno Lima.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) chamou o episódio de "totalmente revoltante". Contarato defendeu ser necessário ensinar aos envolvidos civilidade e que atos trazem consequências.
"Amado por toda a comunidade, ele teve a vida tirada de forma brutal pelas mãos de ao menos quatro adolescentes - que, além de civilidade, também precisam aprender que todo ato tem consequências."
Ele também relembrou dois projetos. O primeiro, que endurece penas para maus-tratos aos animais (Lei nº 14.064/2020), foi relatado por Contarato no Senado, e o outro, de sua autoria, aumenta o tempo de internação para menores infratores (1.473/2025).
Agressão
Orelha, também chamado de Preto, era um cachorro comunitário, adotado há quase uma década por moradores da Praia Brava. Em 15 de janeiro, o animal foi encontrado gravemente ferido por residentes da região depois de dias desaparecido.
A suspeita é de que os adolescentes tenham utilizado pedaços de madeira para agredir o cachorro. No dia seguinte ao que Orelha foi encontrado, a Polícia Civil abriu inquérito na Delegacia de Proteção Animal.
Segundo a apuração, antes do ataque o mesmo grupo teria tentado afogar outro cachorro comunitário no mar. O animal sobreviveu e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
A polícia investiga o envolvimento de três adultos por coação no processo. Também foram identificados indícios de ameaça e porte ilegal de arma.
Na segunda-feira (26), foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas de investigados. A operação também buscou a apreensão de uma arma na casa de um adulto que teria ameaçado uma testemunha do episódio, mas o objeto não foi encontrado.
Em vídeo publicado na segunda-feira (26), o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, afirmou que a violência "não se trata apenas de um ato isolado". O chefe do Executivo estadual disse ter solicitado à Polícia Civil que iniasse investigação no dia que soube do ocorrido e pediu maioridade penal.