A Câmara Municipal do Recife rejeitou nesta terça-feira (3) um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB) relacionado a mudanças no resultado de um concurso público para a Procuradoria-Geral do município. A proposta foi derrubada por 25 votos a 9 e precisava de maioria simples, ao menos 19 votos, para seguir em tramitação. O requerimento foi apresentado pelo vereador Eduardo Moura (Novo).
A solicitação teve como ponto central a nomeação de um candidato que havia ficado inicialmente na 63ª colocação no concurso realizado em 2022. Dois anos após a divulgação do resultado, ele pediu reclassificação para concorrer em vagas destinadas a ações afirmativas.
O caso ganhou repercussão entre parlamentares de oposição após a divulgação de que o candidato é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco. No dia 31 de dezembro, João Campos revogou a nomeação em meio às críticas e acusações de uso político do episódio.
Durante a discussão no plenário, o líder do governo na Câmara, vereador Samuel Salazar (MDB), argumentou que o impeachment não se sustentava.
"O prefeito nomeou um candidato do PcD que estava laudado para isso. A discussão é se ele merecia ou não ter sido requalificado como PcD. O prefeito não tem nenhuma insinuação sobre preferir quem ele nomeou ou que deixa nomear."
Salazar também classificou a iniciativa como "um pedido de impeachment vazio, apenas no intuito de tentar manchar a imagem do prefeito".
Já Eduardo Moura afirmou que a oposição pretende recorrer ao Judiciário para contestar o resultado da votação, apontando possíveis falhas no procedimento.
"Quando você passa uma pessoa na frente de um concurso, você está descumprindo a lei, a lei que é o edital. Você entra na lei de improbidade. Não há o que se discutir com relação à parte jurídica. Vamos agora para a Justiça."
Com a derrota em plenário, o pedido foi arquivado.