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Caroline de Toni deixa o PL após ser preterida na corrida ao Senado

Barrada por Valdemar, deputada buscará outro partido para se candidatar. PL priorizou Carlos Bolsonaro e acordo com o PP em Santa Catarina.

5/2/2026
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A deputada Caroline de Toni (SC) comunicou nessa quarta-feira (4) ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sua decisão de deixar o partido. A saída ocorre em meio à disputa interna pela candidatura ao Senado em Santa Catarina e marca o rompimento definitivo com a estratégia da cúpula da legenda, que optou por priorizar uma aliança com o PP e a pré-candidatura de Carlos Bolsonaro.

Caroline tentava viabilizar seu nome ao Senado pelo PL, mas foi informada de que o partido reservará as duas vagas da chapa majoritária para Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e para o senador Esperidião Amin (PP), que buscará a reeleição. O arranjo decorre de um acordo nacional entre Valdemar e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que envolve outros estados, como o Rio Grande do Sul.

Caroline de Toni recusou oferta de vaga de vice na chapa de Jorginho Mello.Pedro Ladeira/Folhapress

Oferta recusada e ruptura

Para tentar conter a crise, Valdemar ofereceu à deputada alternativas para que desistisse da candidatura ao Senado. Entre elas, a vaga de vice-governadora em uma eventual chapa de reeleição do governador Jorginho Mello (PL) e, em outro momento, a promessa de liderança do PL na Câmara a partir de 2027, caso Caroline disputasse a reeleição como deputada federal.

A parlamentar recusou as propostas. Segundo aliados, ela considerou que aceitar a vice significaria abrir mão de um projeto político próprio e chancelar uma decisão tomada sem consulta às bases do partido em Santa Catarina.

Antes do anúncio da decisão, a deputada havia dito que seis partidos a haviam procurado para filiá-la: Avante, Podemos, PRD, Novo, MDB e PSD.

Conflito com a direção nacional

A decisão de Caroline de Toni expõe um divisão entre a direção nacional do PL e lideranças locais em Santa Catarina. Na terça-feira (3), durante evento em Brasília, o governador Jorginho Mello declarou publicamente que seus candidatos ao Senado seriam Caroline e Carlos Bolsonaro, defendendo uma chapa "pura" do PL.

Valdemar, no entanto, ameaçou intervir no diretório estadual para assegurar a vaga de Esperidião Amin, caso o governador insista em contrariar o acordo nacional com o PP. O movimento esvazia o discurso de autonomia estadual e ampliou o desgaste com a deputada.

Apoio de Michelle Bolsonaro

Ainda nessa quarta-feira, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifestou apoio explícito a Caroline de Toni. Em publicação nas redes sociais, Michelle divulgou imagens ao lado da deputada e de Jair Bolsonaro, acompanhadas da mensagem "estaremos com você".

O gesto foi interpretado por aliados como um sinal de desconforto da família Bolsonaro com a condução do caso por Valdemar, embora Carlos Bolsonaro siga como o nome preferencial do partido para o Senado em Santa Catarina.

Em 2026, Santa Catarina elegerá dois de seus três senadores. Além de Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin, outros nomes devem entrar na disputa, como Gilson Marques (Novo) e Décio Lima (PT). A eventual candidatura de Caroline de Toni por outra legenda tende a fragmentar ainda mais o campo da direita no estado.

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