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Próximo governo não herdará "terra arrasada", diz André Esteves

Sócio-sênior do BTG Pactual diz que próximo governo herdará economia organizada, com inflação sob controle e juros em queda; desafio maior é institucional.

11/2/2026
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O sócio-sênior do BTG Pactual, André Esteves, afirmou que o próximo presidente da República, seja de direita ou de esquerda, receberá um país em situação econômica organizada, sem o cenário de "terra arrasada" enfrentado por governos anteriores. Para ele, o principal desafio do Brasil não é econômico, mas institucional.

"Se você volta na história, todos os bons governos aqui no Brasil, Fernando Henrique I, Lula I, mandato tampão do Temer, eles entraram lá com terra arrasada. 94 era terra arrasada, 2002 era terra arrasada, 2017 terra arrasada. O cara que sentar na cadeira ano que vem, quem quer que seja, não tem terra arrasada", declarou nessa terça-feira (10) no CEO Conference, evento promovido pelo BTG Pactual com autoridades econômicas e políticas.

Segundo ele, os indicadores atuais mostram um país em condições mais favoráveis do que em ciclos anteriores de transição. Ele citou desemprego baixo, cerca de US$ 360 bilhões em reservas internacionais, investimento estrangeiro direto superior ao déficit em conta corrente, inflação convergindo para a meta e perspectiva de queda dos juros.

"O desemprego é zero, US$ 360 bi de reserva, o FDI (investimento estrangeiro direto) é maior do que o déficit em conta corrente, a inflação está aí de 4% para 3%, o juro vai cair 300 a 400 bi. Tudo normal", afirmou.

"Last mile" fiscal

Na avaliação de Esteves, a economia brasileira está "muito fácil de resolver" e o que falta é apenas o ajuste final das contas públicas.

"Tem um last mile (etapa final) de ajuste fiscal que é totalmente possível para o governo que será democraticamente eleito", disse. Para ele, o desafio central é garantir "o equilíbrio, a sustentabilidade da dívida".

O banqueiro afirmou que, diferentemente de outros momentos da história recente, o próximo governo não começará sob colapso econômico. "Não há terra arrasada", resumiu.

Brasil institucional x não institucional

Apesar do diagnóstico econômico otimista, Esteves alertou para o que considera a principal disputa em curso no país: a defesa das instituições.

"No fundo, não deixa de ser uma vitória. Eu acho que o Brasil ainda está distante de países que foram tomados por essa não institucionalidade, como Rússia ou México. A gente está melhor parado do que esses países", afirmou.

Ele definiu o momento como uma "guerra do Brasil institucional contra o Brasil não institucional" e disse que essa é a batalha que a sociedade não pode perder. "Essa é a conquista mais importante", afirmou. "Não acho que tenha a ver com direita ou esquerda, não. Acho que tem nomes de um lado e nomes do outro que ajudam nessa batalha e outros que pioram", declarou.

Para Esteves, cabe à sociedade civil organizada pressionar pela preservação do ambiente institucional. "Estamos muito acostumados a falar de economia, às vezes de política, mas não entra nesse ambiente institucional", afirmou.

Na visão do sócio-sênior do BTG Pactual, o cenário econômico está sob controle e o ajuste fiscal é viável. O risco maior, segundo ele, está na erosão institucional, e não na condução da política econômica em si.

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