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FGC aprova plano emergencial para recompor caixa após liquidação

Plano emergencial inclui aumento temporário de contribuições e adiantamento de recursos das instituições financeiras.

11/2/2026
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O conselho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) decidiu nesta terça-feira (10) adotar um conjunto de medidas emergenciais para fortalecer o caixa da instituição após as perdas decorrentes da liquidação do Banco Master. A iniciativa tem como objetivo restabelecer o nível de liquidez do fundo, formado por contribuições do sistema bancário para proteger depositantes e investidores, ainda até o encerramento do primeiro trimestre.

Entre as ações aprovadas está a antecipação, de forma imediata, do montante correspondente a cinco anos de contribuições futuras das instituições financeiras participantes, valor que será pago em três parcelas mensais consecutivas. O planejamento inclui também novos adiantamentos: um equivalente a 12 meses de contribuições em 2027 e outro de igual período em 2028, o que poderá resultar, na prática, na antecipação de até sete anos de aportes.

Fundo antecipará contribuições de bancos para reforçar liquidez do sistema.José Cruz/Agência Brasil

Os bancos associados também aceitaram elevar temporariamente suas contribuições mensais ao fundo. De acordo com pessoas envolvidas nas negociações, o acréscimo extraordinário deverá variar de 30% a 60% e permanecer em vigor por pelo menos cinco anos.

Atualmente, as instituições participantes recolhem ao FGC 0,01% ao mês sobre o total de instrumentos financeiros cobertos pela garantia do fundo. Para os Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), as alíquotas são superiores e definidas conforme as características de cada emissão.

Em comunicado, o FGC informou que mantém diálogo com os bancos associados e com o Banco Central sobre medidas para recompor sua liquidez, mas não detalhou as alternativas avaliadas. "As discussões estão em andamento e uma deliberação deverá ocorrer no curto prazo", declarou.

Compulsórios

No setor financeiro, outra possibilidade debatida é direcionar parte dos recursos do compulsório sobre depósitos à vista — valores que as instituições são obrigadas a manter no Banco Central, para reforçar o caixa do fundo. A eventual utilização desses recursos depende, contudo, de autorização da autoridade monetária, que ainda não se pronunciou oficialmente.

Até agora, aproximadamente R$ 36 bilhões já foram pagos pelo FGC para ressarcir credores do Banco Master, dentro de um total estimado superior a R$ 40 bilhões. O fundo ainda não iniciou os pagamentos relacionados ao Will Bank, integrante do mesmo conglomerado cuja liquidação foi decretada posteriormente; nesse caso, as garantias previstas somam cerca de R$ 6,3 bilhões.

As perdas restantes estão ligadas a operações de crédito concedidas diretamente pelo próprio FGC a empresas pertencentes ao grupo Master.

Governança

No mercado financeiro, a recomposição dos recursos do fundo é considerada um passo preliminar para eventuais mudanças nas regras de funcionamento do FGC. Entre os temas em debate estão o reforço na fiscalização da qualidade contábil das instituições associadas, limites mais rígidos para níveis elevados de alavancagem e iniciativas para reduzir a concentração da distribuição de produtos financeiros em um número restrito de plataformas.

Parte das instituições, sobretudo bancos tradicionais de maior porte, tem criticado a forma de utilização do fundo nos últimos anos. Segundo esse grupo, algumas plataformas e instituições menores recorreram ao FGC como instrumento para expandir operações de crédito de maneira excessiva, transferindo ao sistema garantidor os custos de perdas associadas a modelos de negócio considerados insustentáveis.

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