A CPMI do INSS ouvirá nesta segunda-feira (23) a empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos, suspeita de ter sido beneficiada no esquema de descontos associativos irregulares sobre aposentadorias e pensões do INSS.
Ingrid é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador e assessor do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), uma das entidades investigadas por envolvimento nos desvios.
Alvo da segunda fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em maio de 2025, a depoente é investigada por ocultação de patrimônio e participação em transações consideradas incompatíveis com sua capacidade econômica.
Com a oitiva, o colegiado pretende entender a organização das movimentações financeiras que, segundo os investigadores, teriam servido para ocultar patrimônio e lavar recursos desviados de beneficiários do INSS.
A expectativa dos parlamentares, conforme os requerimentos de convocação, é que o depoimento permita conectar nomes, empresas e contratos, a fim de reconstruir os passos do esquema.
Nos inquéritos da Polícia Federal (PF), operações financeiras de alto valor e sem justificativa aparente foram identificadas nas contas bancárias de Ingrid. É o que apontou o senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor de um dos requerimentos de convocação da empresária.
"O nome de Ingrid Pikinskeni aparece de forma reiterada em operações financeiras de montante elevado e sem lastro econômico, reforçando a hipótese de que atuava como intermediária estratégica dentro do esquema."
Seu marido Cícero compareceu à CPMI em outubro do ano passado. No depoimento, o empresário confirmou as movimentações com a Conafer, mas negou detalhes sobre as transações sob argumento de que seus registros bancários haviam sido apreendidos pela PF.
Banco Master
A presença de Ingrid só foi confirmada depois de a CPMI ser comunicada do cancelamento do depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A audiência com o banqueiro estava prevista para o mesmo dia.
Vorcaro havia se comprometido a comparecer à CPMI. Os parlamentares viam na oitiva uma oportunidade de esclarecer contratos de crédito consignado registrados pelo Banco Master junto ao INSS.
O cenário mudou na quinta-feira (19), quando o ministro André Mendonça, relator dos inquéritos que apuram a fraude do Banco Master no STF, decidiu que a presença de Vorcaro no Congresso deveria ser voluntária.
Mendonça determinou ainda que, caso optasse por comparecer, Vorcaro não poderia viajar em avião particular, devendo utilizar voo comercial ou aeronave da Polícia Federal. A limitação foi apontada pela defesa como um obstáculo logístico para a viagem.
Com o recuo do banqueiro, os integrantes da CPMI decidiram preencher a vaga na agenda com outro depoimento considerado sensível, o de Ingrid Pikinskeni, de forma a não interromper o ritmo das investigações.