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"Crime organizado não se limita à favela", afirma relator da CPI

Em audiência com a Meta, detentora do Facebook, Alessandro Vieira destacou que o crime prioriza segmentos mais lucrativos no ambiente digital.

24/2/2026
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O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta terça-feira (24) que o avanço da criminalidade nas redes sociais exige uma nova compreensão sobre a atuação do crime organizado no país.

"Quando a gente fala de crime organizado, não pode limitar essa fala ao criminoso violento na favela. Cada vez mais você percebe um avanço da criminalidade para segmentos mais lucrativos. O bandido não necessariamente quer matar as pessoas, ele quer dinheiro e nada dá mais acesso a vítimas do que a rede social", declarou.

A fala foi feita durante audiência com a diretora de Políticas Públicas da Meta para a América Latina, Yana Dumareq Sobral Alvez, convocada para prestar esclarecimentos sobre o uso de plataformas digitais por organizações criminosas para aplicações de golpes, fraudes e disseminação de conteúdos ilícitos.

Ao abrir sua intervenção, o relator destacou que o objetivo da comissão não é criminalizar empresas, mas compreender o alcance econômico da atuação criminosa no ambiente digital. Segundo ele, o Parlamento precisa reconhecer que o crime organizado deixou de se restringir à violência armada e passou a explorar com mais intensidade atividades altamente lucrativas nas redes.

A audiência ocorre no contexto das investigações da CPI sobre a utilização de plataqformas como Facebook, WhatsApp e Instagram, todas pertencentes à Meta, por grupos criminosos para recrutameno, comunicação e obtenção de lucro ilícito.

Defesa da Meta

Em sua exposição inicial, Yana Dumaresq afirmou que a empresa tem investido em mecanismos de prevenção e cooperação institucional. "Prevenir golpes é uma prioridade máxima para a Meta e temos tido avanços importantes", disse.

Segundo a executiva, a companhia adota ferramentas automatizadas de detecção, remove conteúdos enganosos, desarticula redes criminosas e mantém colaboração com autoridades e instituições financeiras. Ela também ressaltou que a circulação de fraudes não prejudica o próprio funcionamento das plataformas.

"Nossos usuários não querem esse conteúdo, anunciantes legítimos não querem esse conteúdo e nós também não queremos."

A representante da Meta detalhou iniciativas como o uso de inteligência artificial para identificar possíveis golpes em conversas privadas, alertas automáticos a usuários, verificação ampliada de anunciantes e tecnologia de reconhecimento facial para impedir o uso indevido de imagens de figuras públicas em anúncios fraudulentos.

Além das medidas internas, citou parcerias com autoridades brasileiras, participação em alianças globais de combate a fraudes e cooperação com órgãos como a Secretaria Nacional do Consumidor e o Laboratório de Operações Cibernéticas da Senasp.

Reponsabilidade

Durante a sessão, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a comissão busca dimensionar a estrutura contemporânea do crime organizado.

"Temos indícios claros de que essas plataformas também estão sendo exploradas para enganar, iludir, ocultar e fraudar."

A CPI investiga a expansão das atividades ilícitas no ambiente digital e pretende, ao final, propor medidas legislativas e institucionais para enfrentar o uso das redes sociais como instrumentos de lucro para organizações criminosas.

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