O Ministério das Relações Exteriores recomendou que brasileiros evitem viagens a 11 países do Oriente Médio diante da rápida deterioração do cenário de segurança após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e a posterior ofensiva iraniana contra alvos na região.
A medida foi anunciada no mesmo dia em que o governo iraniano confirmou a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989, atingido nos bombardeios conduzidos por forças americanas e israelenses. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, autoridades iranianas afirmaram que a morte "jamais ficará impune" e prometeram retaliação "em escala histórica".
Mortes e destruição
Segundo a Sociedade Crescente Vermelho do Irã, os ataques contra o território iraniano deixaram ao menos 201 mortos e 747 feridos, atingindo 24 das 31 províncias do país, a maior ofensiva direta contra o Irã em décadas.
Entre os alvos bombardeados está uma escola de meninas na cidade de Minab, no sul do país. De acordo com a agência estatal Irna, pelo menos 57 estudantes morreram e 60 ficaram feridas após o prédio ser atingido durante o horário de aula. Autoridades locais afirmam que o número de vítimas pode chegar a 85, com pessoas ainda sob os escombros.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a operação foi "preventiva" e teve como alvo o complexo do líder supremo e estruturas ligadas à Guarda Revolucionária e ao programa nuclear iraniano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a ação buscou impedir o avanço do programa nuclear do Irã e eliminar uma ameaça estratégica.
Retaliação iraniana
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia, países que abrigam bases militares americanas ou mantêm cooperação estratégica com Washington. Sirenes de alerta aéreo foram acionadas em diversas cidades da região.
Além desses sete países, o clima de instabilidade atinge também Israel, Líbano, Palestina e Síria, que passaram a constar no alerta consular brasileiro.
Analistas internacionais avaliam que a troca direta de ataques rompe o padrão anterior de confrontos indiretos e eleva significativamente o risco de guerra regional aberta, com impactos potenciais sobre rotas energéticas e mercados globais.
Orientação a brasileiros
Diante do cenário, o Itamaraty recomendou que brasileiros evitem viagens a:
- Arábia Saudita
- Bahrein
- Catar
- Emirados Árabes Unidos
- Iraque
- Kuwait
- Jordânia
- Israel
- Líbano
- Palestina
- Síria
Brasileiros que já estejam nesses países devem seguir rigorosamente as orientações das autoridades locais, evitar aglomerações, buscar abrigo imediato em caso de bombardeios, manter documentos válidos e acompanhar comunicados oficiais das embaixadas.
O ministério divulgou contatos de emergência das representações diplomáticas e orientou que cidadãos procurem assistência consular em situações que representem risco imediato à vida, à segurança ou à dignidade.
Posição do governo brasileiro
Em nota oficial, o governo manifestou "profunda preocupação" com a escalada de hostilidades e classificou os acontecimentos como ameaça grave à paz e à segurança internacionais.
O Brasil condenou ações que violem a soberania de Estados e defendeu respeito ao Direito Internacional e ao Direito Internacional Humanitário. O comunicado ressalta que a legítima defesa prevista na Carta da ONU é excepcional e deve observar proporcionalidade.
O Itamaraty também lamentou a morte de civis e expressou solidariedade às famílias das vítimas, além de reforçar que a solução para a crise deve ocorrer por meio do diálogo diplomático, com papel central das Nações Unidas.
Veja a íntegra da nota do Itamaraty de alerta aos brasileiros:
"Escalada de hostilidades no Oriente Médio
O governo brasileiro manifesta profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo, que representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance.
Ao fazer apelo à interrupção de ações militares ofensivas, o Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis. Recordando que a legítima defesa, prevista no artigo 51 da Carta das Nações Unidas, é medida excepcional e sujeita à proporcionalidade e ao nexo causal com o ataque armado, o Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia - objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro.
Ao lamentar a perda de vidas civis, o Brasil expressa, ainda, solidariedade às famílias das vítimas. Enfatiza, a propósito, a obrigação dos Estados de assegurar a proteção de civis, em conformidade com o Direito Internacional Humanitário.
O Brasil reafirma que o diálogo e a negociação diplomática constituem o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura, cabendo às Nações Unidas papel central na prevenção e na resolução de conflitos, nos termos da Carta de São Francisco."