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Comissão do Senado convida Mauro Vieira para falar sobre conflito no Irã

Convite foi aprovado pelo colegiado nesta terça-feira (10), com previsão de oitiva na próxima quarta-feira (18).

10/3/2026
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A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado convidou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre a postura do Brasil em relação ao conflito que envolve Irã, Israel e Estados Unidos. A convocação foi aprovada pelo colegiado nesta terça-feira (10), a fim de ouvir o chanceler na próxima quarta-feira (18).

Na avaliação do presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), autor do requerimento de convite, ele foi comunicado por embaixadores dos países do Golfo Pérsico sobre preocupações do posicionamento brasileiro. Trad afirmou que o Irã tem realizado ataques a hotéis, portos, aeroportos e refinarias desses países, que, supostamente, não estariam revidando.

O presidente da CRE informou ter se reunido com embaixadores da Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kuwait e Iêmen. Trad reiterou que os consulados e postos brasileiros no Oriente Médio atualizam constantemente alertas sobre meios de transporte para brasileiros que desejam deixar esses países.

"Já recebi dezenas de manifestações de brasileiros que estão ilhados em um desses países sem conseguir retornar ao Brasil, situação desesperadora, com gente debaixo de bunker para poder se proteger dos ataques."

Requerimento foi apresentado pelo senador Nelsinho Trad.Edilson Rodrigues/Agência Senado

Discussão

Durante a deliberação do requerimento, o senador Esperidião Amin (PP-SC) defendeu que o Brasil não deve "tomar partido" no conflito. Para o parlamentar, a política internacional tem sido orientada pela "lei do mais forte".

"A última coisa que nós devemos fazer é tomar partido, mas pedir que parem de brigar, que voltem para o leito das negociações."

Já a senadora Tereza Cristina (PP-MS) classificou a posição pública do governo sobre o conflito como "tímida" e "não muito clara". Na avaliação da parlamentar, o conflito poderá prejudicar tanto a importação brasileira de petróleo quanto a exportação de carnes para esses países, considerados compradores estratégicos.

Conflito

As tensões entre Irã, Estados Unidos e Israel se intensificaram no final de fevereiro, quando ataques aéreos conjuntos levaram à morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, no último dia 28. Desde então, a rivalidade indireta se tornou uma guerra aberta, com ofensivas de ambas as partes.

A justificativa norte-americana e israelense foi a necessidade de degradar a capacidade militar iraniana e conter a ameaça nuclear. Já o Irã passou a sustentar que foi alvo de agressão ilegal e que reagiria em legítima defesa.

Em nota oficial, o presidente Lula condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, disse que a saída deve ser diplomática e pediu respeito ao Direito Internacional, com contenção para evitar nova escalada e proteger civis e infraestrutura civil.

Na segunda-feira (9), durante agenda com o presidente da África do Sul, Lula associou a guerra ao aumento do risco internacional e defendeu que o Brasil fortaleça sua capacidade de defesa. "Se não nos preparamos para defendernos, em qualquer momento nos invadem", alertou.

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