O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reagiu à derrubada pelo STF da liminar do ministro André Mendonça que autorizava a prorrogação dos trabalhos da comissão. Em publicação no X, Viana afirmou que "o sistema não quer que a investigação avance" e defendeu a renovação de "mais de 50%" do Congresso, tanto no Senado quanto na Câmara, como forma de mudar essa realidade. A manifestação ocorreu após o Supremo Tribunal Federal barrar a continuidade da CPMI que investiga fraudes em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Na publicação, Viana afirmou que o país assistiu a um "retrato cruel da realidade". Disse que, pela manhã, a prorrogação da CPMI havia sido aprovada "em nome dos órfãos, das viúvas e dos aposentados que foram roubados", mas que, horas depois, a esperança foi derrubada no Supremo. Em seguida, elevou o tom político da reação e afirmou que a resposta "está nas urnas", com mudança na composição do Legislativo. "Se quisermos mudar essa realidade, precisamos mudar o Congresso Nacional. Mais de 50% no Senado. Mais de 50% na Câmara", escreveu.
Hoje o Brasil assistiu a um retrato cruel da realidade.Pela manhã, prorrogamos a CPMI do INSS em nome dos órfãos, das viúvas e dos aposentados que foram roubados. Fizemos isso por quem não tem voz, por quem foi traído dentro do próprio sistema.Horas depois, no plenário, vimos…
— Carlos Viana (@carlosaviana) March 26, 2026
Julgamento no STF
A reação veio depois de o STF formar maioria contra a liminar do ministro André Mendonça, que havia autorizado a continuidade da comissão por até 120 dias. Segundo o material enviado, a decisão final da Corte foi de 8 votos a 2 contra a prorrogação dos trabalhos. Com isso, a CPMI deve encerrar suas atividades até sábado (28).
Mesmo após a derrota, Carlos Viana afirmou que pretende concluir os trabalhos da comissão antes do prazo final. Segundo ele, a intenção é ler e votar o relatório final já nesta sexta-feira (27). O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), informou que o documento tem cerca de 5 mil páginas e recomenda o indiciamento de 228 pessoas. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse que deve apresentar um relatório alternativo.
Fraude contra aposentados e pensionistas
A decisão do Supremo representa um revés para a estratégia adotada pelo presidente da CPMI, que havia decidido prorrogar o funcionamento do colegiado diante do avanço das investigações. A comissão foi instalada em agosto de 2025 para apurar descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, mas ampliou seu foco ao longo dos trabalhos e passou também a investigar supostas ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados a aposentados.
Nas últimas semanas, a CPMI passou a ser alvo de críticas depois de ser acusada de vazar conversas pessoais encontradas nos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os aparelhos haviam sido apreendidos pela Polícia Federal e repassados à comissão após autorização judicial. Durante o julgamento no STF, ministros que votaram contra a prorrogação criticaram a condução da comissão diante da exposição de mensagens íntimas do empresário.
Nova legislação para CPIs
Entre eles esteve o ministro Gilmar Mendes, que defendeu que o Congresso discuta uma nova legislação para disciplinar as CPIs e afirmou que o sistema atual "ficou velho". Em entrevista à imprensa, Carlos Viana disse concordar com a avaliação, mas afirmou que uma nova lei deveria fortalecer, e não restringir, os poderes de investigação do Parlamento. Segundo ele, a comissão não deveria depender do Supremo para levar investigados a depor nem para avançar em diligências.
Após o julgamento, Viana voltou a criticar o que considera interferência excessiva do Supremo sobre o Legislativo. Ele afirmou a jornalistas que o Congresso vem sendo privado de suas prerrogativas "a cada decisão do STF" e cobrou uma reação institucional do Parlamento. Também criticou a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao dizer que a Casa não tem reagido como deveria. Para o senador, a CPMI deve servir de exemplo para um "reequilíbrio entre os Poderes".
Mesmo com o encerramento iminente da comissão, o senador tentou apresentar o trabalho do colegiado como missão cumprida. Disse ter "absoluta tranquilidade" para afirmar que os parlamentares fizeram sua parte, mas atribuiu à base governista a responsabilidade por impedir o aprofundamento das investigações sobre "pessoas importantes da República" e outros parlamentares.