Durante cerimônia de entrega de obras em Salvador (BA) nesta quinta-feira (2), o presidente Lula rebateu as críticas do governo americano ao Pix. O chefe do Executivo ressaltou que o sistema é de interesse estritamente nacional, e que não serão feitas mudanças no funcionamento do Pix para agradar autoridades norteamericanas.
"Os Estados Unidos fizeram um relatório essa semana sobre o Pix. Ele disse que o Pix distorce o comércio internacional, porque o Pix é o que cria problema para a moeda dele. O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil e ninguém, ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", declarou.
Veja sua fala:
Segundo o presidente, "que nós poderemos fazer é aprimorar o PIX para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens desse país".
O comentário de Lula veio em resposta ao novo relatório do United States Trade Representative (USTR), vinculado à Casa Branca, que acusou o Brasil de manter práticas protecionistas desiguais no trato econômico com os Estados Unidos. Entre as políticas locais citadas, estavam o sistema Pix e a taxação de bens importados a partir de plataformas digitais, a "taxa das blusinhas".
O Pix é citado no documento como um ponto de preocupação comercial. O USTR alega que o sistema recebe "tratamento preferencial" pelo Banco Central, desfavorecendo serviços estrangeiros de pagamento eletrônico, como bandeiras de cartões de crédito ou plataformas virtuais como paypal. A exigência de oferta do Pix a instituições financeiras com mais de 500 mil contas é citada como exemplo do favoritismo.
O mesmo tipo de crítica foi levantada pelo governo americano em julho de 2025, quando Trump impôs o pacote de tarifas de 50% sobre importações de produtos brasileiros.
Crítica a Trump
Na ocasião, Lula também retomou críticas à conduta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por manter a guerra contra o Irã, que retaliou ao fechar o acesso de navios ao Estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, aumentando o custo dos combustíveis no mundo inteiro.
"Ninguém aqui pediu para o presidente Trump fazer guerra, ninguém pediu. E ele fez a guerra dele e o preço da gasolina está chegando aqui do óleo diesel e vai aumentar o preço do alface, o preço do feijão, o preço de óleo, o preço do pão", afirmou.