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Prefeitos acionam STF contra lei de combate ao crime organizado

Autores da ação afirmam que lei amplia penas com violações ao devido processo legal e apontam ofensa a direitos fundamentais ao questionar 19 pontos da norma.

12/4/2026
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A Associação Nacional dos Prefeitos e Vice-Prefeitos (ANPV) acionou o STF contra trechos da Lei 15.358/2026, que trata do combate ao crime organizado. A entidade afirma que a norma viola direitos fundamentais e impõe restrições ao devido processo legal. A ação foi distribuída ao ministro Alexandre de Moraes.

Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7952), a ANPV pede a suspensão de dispositivos da lei.

"A norma amplia de forma desproporcional o poder punitivo do Estado e compromete garantias fundamentais."

Corte deve decidir sobre pedido de suspensão de trechos da lei ainda em fase inicial de análise.Pedro Ladeira/Folhapress

O que está em jogo

A ANPV questiona ao menos 19 pontos da legislação que endurece o combate a facções criminosas, milícias e grupos paramilitares. Entre os dispositivos contestados estão regras que ampliam penas, estendem as hipóteses de prisão preventiva, permitem o confisco e a venda antecipada de bens e impõem restrições ao direito de defesa.

Um dos trechos prevê penas de até 60 anos de prisão, com exigência de cumprimento de 85% da pena antes da progressão de regime, além de vedação ao livramento condicional.

"Esse conjunto de medidas torna, na prática, inviável a progressão de regime no sistema penal", sustenta a ANPV.

Pontos questionados

A entidade contesta a ampliação das hipóteses de prisão preventiva sem critérios individualizados e a possibilidade de confisco e alienação de bens antes de condenação definitiva.

Também questiona a ampliação de instrumentos de investigação que podem alcançar comunicações, inclusive entre advogados e clientes.

No pedido, a ANPV afirma que a lei "não é uma lei de combate ao crime organizado, é uma lei de eliminação de direitos fundamentais".

A ação inclui ainda mudanças na execução penal, como restrições a benefícios e regras para transferência de presos para presídios federais.

Próximos passos

A associação pede a suspensão imediata dos trechos questionados até o julgamento final pelo STF.

Caberá ao relator decidir se concede medida liminar antes da análise do mérito pelo plenário da Corte.

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