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Senadora propõe criminalizar monetização com discurso de ódio

Projeto da Professora Dorinha Seabra prevê até 5 anos de prisão e atinge toda a cadeia de monetização nas redes sociais.

25/4/2026
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A monetização de conteúdos que promovam discurso de ódio, discriminação ou preconceito em redes sociais e serviços digitais poderá se tornar crime. É o que propõe o projeto de lei 1.897/2026, apresentado pela senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), que altera a Lei 7.716/1989 para incluir punição a quem obtiver vantagem econômica com esse tipo de material.

Pelo texto, a prática passa a ser punida com reclusão de dois a cinco anos, além de multa. A medida alcança não apenas quem produz ou publica o conteúdo, mas também quem intermedia, patrocina, financia ou viabiliza sua monetização, incluindo mecanismos como publicidade, assinaturas, doações e programas de afiliados.

O projeto também prevê aumento de pena em casos de maior alcance ou organização da prática, como uso de anúncios pagos, redes automatizadas, contas inautênticas ou ocultação da origem dos recursos.

O projeto prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.Freepik

Cadeia de monetização

Na justificativa, a autora afirma que a proposta busca atingir o incentivo econômico por trás da disseminação de conteúdos discriminatórios nas plataformas digitais.

"A presente iniciativa legislativa busca enfrentar a atual dinâmica de monetização do discurso de ódio, em que agentes digitais transformam a violência e a discriminação em produtos altamente lucrativos."

Segundo o texto, a responsabilização penal deve alcançar toda a cadeia envolvida na geração de receita com esse tipo de conteúdo, incluindo financiadores e operadores de mecanismos de monetização.

"Regret nothing"

A proposta cita a influência de comunidades digitais que propagam a misoginia, mencionando como exemplo o estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro.

No caso, chamou a atenção o fato de um dos suspeitos ter se apresentado à polícia usando uma camiseta com a frase "regret nothing" (não se arrependa de nada), lema popularizado pelo auto-proclamando influenciador "misógino" Andrew Tate, réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual.

"Relatos da imprensa e da própria linha investigativa indicam que os envolvidos podem ter sido expostos a ideologias de ódio contra mulheres circuladas em comunidades do universo 'Red Pill, associadas diretamente ao tipo de retórica promovida por Tate, elevando o risco de que tais discursos sirvam como vetor de normalização da violência sexual entre adolescentes e jovens do sexo masculino."

Para a parlamentar, o projeto ataca o suporte financeiro que normaliza a violência entre jovens e adolescentes, sem interferir na liberdade de expressão legítima, mas punindo a exploração comercial do preconceito.

Confira a íntegra do projeto.

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