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Vereador diz que colega verá "com quantos paus se faz uma cangalha"

Episódio ocorreu durante sessão da Câmara Municipal de Banabuiú, no Ceará; vereadora denunciou ameaça nas redes sociais.

24/4/2026
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A vereadora Jardênia Gomes (MDB), de Banabuiú (CE), denunciou uma ameaça sofrida dentro da Câmara Municipal. O episódio ocorreu durante sessão plenária na quarta-feira (22), quando a parlamentar questionou a Mesa Diretora sobre a retirada de pauta de um processo administrativo por quebra de decoro parlamentar, que solicitava sua cassação.

Na tribuna, Jardênia colou um pedaço de fita à boca e afirmou que seria vítima de uma tentativa de silenciamento. A atitude foi respondida por Daniel Bandeira (PSB), 1º vice-presidente da Câmara. O vereador justificou que o adiamento da votação ocorreu por decisão da Mesa.

Bandeira reiterou que, entre as prerrogativas parlamentares, está a análise de pedidos de cassação tanto de vereadores quanto do prefeito e que o futuro da vereadora não estava "nas mãos" de um advogado ou juiz, mas dos colegas.

"Seu mandato não está na mão de advogado. Não está na mão de promotor. Não está na mão do juiz. Está nas mãos desses vereadores que estão aqui. Cabe a nós decidirmos se cassa ou se não cassa seu mandato."

Segundo o vereador, seu conselho para Jardênia era se acalmar, mas, caso ela não se acalmasse, descobriria "com quantos paus você faz uma cangalha". A sessão foi suspensa quando um homem, que Bandeira identificou como o marido de Jardênia, o chamou de "palhaço".

A vereadora é alvo de um pedido de cassação por ter publicado vídeos nas redes sociais em que expõe pessoas em situação de vulnerabilidade que estão concentradas na praça central do município. Jardênia foi denunciada ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) pela exposição e, na sequência, a Câmara Municipal instaurou um processo para analisar possível quebra de decoro.

O que dizem as partes

Nas redes sociais, Jardênia disse ter sofrido violência política de gênero. Segundo a vereadora, ela é a única a fazer oposição ao prefeito de Banabuiú, Marcilio Coelho, na Câmara Municipal.

De acordo com a parlamentar, o processo foi instaurado em nome de uma pessoa em situação de vulnerabilidade que já morreu e tem motivação política.

"Dentro da própria Câmara Municipal, um vereador disse que tinha filmagem minha e disse que eu ia ver com quantos paus se faz uma canoa. E disse-me que o meu mandato estava nas mãos deles, nas mãos deles. Isso tem nome, isso se chama violência política de gênero."

Bandeira também se pronunciou e disse que sua afirmação foi um ditado popular conhecido "em todo o Ceará". O vereador disse que o marido de Jardênia tentou agredi-lo.

"Eu não ameacei ninguém por violência de gênero. Pelo contrário, eu fui agredido pelo esposo da vereadora, que me ameaçou, me chamou de palhaço, me chamou de vagabundo. Ele subiu no Plenário da Câmara, foi contido pelos meus colegas vereadores. Queria me bater, me bater mesmo."

Como justificativa, o parlamentar afirmou ser autor do projeto que cria a Procuradoria da Mulher na Câmara Municipal e que, enquanto presidente da Casa, teve mulheres como 90% de seus funcionários. "Transformar o ditado popular em ameaça não faz parte do debate. O povo do Banabuiú conhece quem trabalha e quem faz narrativas", argumentou.

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