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Cláudio Castro é alvo da PF em operação ligada ao caso Refit

Ex-governador do Rio é alvo de mandado determinado por Alexandre de Moraes. Ação também mira Ricardo Magro, dono da antiga Refinaria de Manguinhos.

15/5/2026
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A Polícia Federal cumpre, na manhã desta sexta-feira (15), mandado de busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Os agentes foram à casa de Castro, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense.

A ordem foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Castro, a Operação Sem Refino também tem como alvo o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.

Cláudio Castro deixou o governo do Rio de Janeiro no início de abril para se candidatar ao Senado em outubro.Gabriel Silva/RasPress/Folhapress

As buscas fazem parte das apurações do caso Refit, investigação que revelou um dos maiores esquemas de sonegação de impostos do país. A antiga refinaria de Manguinhos obteve, em 2023, durante o governo Cláudio Castro, incentivo fiscal para ampliar sua atuação no mercado de óleo diesel.

A Refit já vinha sendo investigada por suspeitas de fraude fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Em novembro de 2025, a Receita Federal deflagrou, em conjunto com outros órgãos, a Operação Poço de Lobato para combater um esquema atribuído ao grupo, apontado como maior devedor contumaz do país, com débitos superiores a R$ 26 bilhões. Na ocasião, foram cumpridos 126 mandados de busca e apreensão em cinco estados, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo.

A decisão de Moraes foi dada no âmbito da ADPF das Favelas, ação apresentada ao Supremo em 2019 pelo PSB para questionar a violência policial em operações realizadas em comunidades do Rio de Janeiro e estabelecer parâmetros para reduzir a letalidade policial. O processo passou a concentrar decisões relevantes sobre segurança pública no Estado e sobre a atuação integrada de órgãos de investigação.

Crise institucional

A operação ocorre em meio a uma crise institucional no Rio. Castro está sem cargo desde 23 de março, quando renunciou ao governo um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral retomar o julgamento que resultou em sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Por 5 votos a 2, o TSE condenou Castro e o tornou inelegível por oito anos, a contar do pleito de 2022. A acusação envolveu contratações temporárias e repasses ligados à Fundação Ceperj e à Uerj, que, segundo o Ministério Público Eleitoral, teriam sido usados para gerar vantagem eleitoral na campanha à reeleição. Castro nega irregularidades e anunciou que recorreria da decisão.

Disputa na Justiça

Com a renúncia, a cassação do mandato ficou prejudicada, mas a saída abriu uma disputa no Supremo sobre a forma de escolha do governador que cumprirá o mandato-tampão até a posse do eleito no pleito regular de outubro. O Rio está hoje sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto de Castro.

O STF ainda não concluiu o julgamento sobre se a escolha do próximo governador será feita por eleição direta, com voto dos eleitores, ou indireta, pela Assembleia Legislativa. Em abril, o placar estava em 4 a 1 pela eleição indireta, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com isso, Ricardo Couto permanece à frente do Executivo estadual.

Mesmo declarado inelegível pelo TSE, Castro tenta manter o projeto político de disputar uma vaga ao Senado nas eleições de outubro. A operação desta sexta adiciona mais um capítulo à crise que envolve o ex-governador, o comando do Estado e as investigações sobre a relação entre o poder público fluminense e o setor de combustíveis.

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