O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que o Banco Master não representava risco sistêmico para o mercado financeiro brasileiro. Segundo ele, a principal preocupação das autoridades está relacionada à utilização dos recursos movimentados pela instituição.
"O que está consternando as pessoas não é o passivo. É o que foi feito com o dinheiro."
A fala ocorreu em resposta a questionamentos de senadores sobre a dimensão da crise envolvendo o banco e os impactos para o sistema financeiro nacional.
"Terceira divisão" do sistema financeiro
Ao explicar o porte do Banco Master, Galípolo afirmou que a instituição integrava o segmento S3 do sistema financeiro, categoria que reúne bancos de menor porte. Segundo ele, o Master representava menos de 0,5% dos ativos do sistema financeiro brasileiro.
"Ele é um banco da terceira divisão do futebol do sistema financeiro brasileiro."
De acordo com o presidente do BC, justamente por ter participação reduzida no mercado, o banco não oferecia risco de contágio ao restante do sistema financeiro.
Uso dos recursos ampliou repercussão
Na última semana, foi revelado que Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo informações, as negociações envolveram contatos diretos com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria solicitado recursos e pressionado pela liberação dos pagamentos. O banqueiro chegou a desembolsar R$ 61 milhões no projeto.
Após a divulgação do caso, Flávio negou irregularidades nas conversas com Vorcaro e passou a defender a criação de uma CPI para investigar o Banco Master.
Outro ponto que aumentou a pressão sobre o caso foi a informação de que a Polícia Federal identificou indícios de que Vorcaro pagou ao menos três viagens internacionais do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil.