O ex-juiz e senador Sergio Moro (PL-PR) rebateu declaração do presidente Lula de que a Operação Lava Jato é a "grande mentira do século 21". Pré-candidato ao governo do Paraná, Moro publicou um vídeo nas redes sociais na sexta-feira (22), em que afirmou que a "grande mentira do século" é, na verdade, o presidente, que, segundo o senador, "destruiu a moral e a ética no país com a sua volta".
Durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula havia afirmado que a operação destruiu empresas nacionais e empregos, além de criticar diretamente a atuação de Moro como juiz e do ex-procurador Deltan Dallagnol.
"A Lava Jato foi a grande mentira do século 21 desse país que os meios de comunicação fomentaram em torno de dois monstros chamados Moro e Dallagnol."
Moro defendeu que a Lava Jato teve papel relevante no combate à corrupção no Brasil. "A Lava Jato recuperou dinheiro para a Petrobras, mais de seis bilhões de reais, e colocou na cadeia os diretores da Petrobras que você nomeou", declarou.
O pré-candidato acusou Lula de utilizar a TV Brasil "para mentir sobre a Lava Jato e realizar ataques pessoais". O senador também destacou que empresários e agentes públicos foram responsabilizados no âmbito das investigações.
Moro também direcionou críticas à gestão do presidente e acusou seus governos de contribuírem para problemas econômicos e institucionais. Ao mencionar o esquema de descontos não autorizados no INSS, o senador sugeriu que, "assim como o Mensalão e o Petrolão", as fraudes teriam relação com o governo.
"Lula, os seus governos se tornaram sinônimo de roubalheira e de corrupção. Por isso, não venha mentir aqui sobre a Operação Lava Jato. As pessoas sabem a verdade. No meu Estado do Paraná, mais ainda, porque elas respeitam a Lava Jato e aqui você tem a maior taxa de reprovação do país, até 67% dos paranenses não gostam de você e do seu governo."
Operação Lava Jato
A Operação Lava Jato foi uma investigação iniciada em 2014 pela Polícia Federal para apurar esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à Petrobras, a grandes empreiteiras e políticos de diversos partidos.
O esquema funcionaria por meio de contratos superfaturados, em que empresas pagavam propina a diretores da estatal e a agentes públicos em troca de benefícios. A operação ganhou grande dimensão, levou à prisão de empresários e políticos influentes, recuperou bilhões de reais desviados e teve como um de seus principais nomes o então juiz Sergio Moro.
Com o tempo, porém, a Lava Jato passou a ser alvo de críticas e controvérsias, incluindo acusações de abusos, parcialidade e irregularidades processuais. Decisões do STF anularam condenações importantes, como as do presidente Lula, após o reconhecimento de falhas jurídicas nos processos.