Em pronunciamento após se encontrar com Donald Trump, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter solicitado ao presidente dos Estados Unidos a classificação de facções criminosas brasileiras de grande porte, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como grupos terroristas estrangeiros.
"Eu fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele. (...) Nós temos um em cada quatro brasileiros morando em áreas dominadas por facções criminosas, que impõem as suas próprias regras, facções que são espécies de governo paralelo em muitas áreas do Brasil, e nós vamos libertar essas pessoas", declarou.
Veja a fala:
O pré-candidato do PL à Presidência da República também afirmou ter se comprometido com Trump a, se eleito, formalizar uma aliança junto ao presidente norte-americano e a outros líderes conservadores latino-americanos, como Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador, para atuação conjunta em ações de enfrentamento ao crime organizado.
Flávio ainda acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "fazer lobby para traficante" e de "beijar ditaduras que são comandadas pelo Hamas e Hezbollah". O senador também disse ter recebido de Donald Trump uma challenge coin, moeda colecionável concedida pelo republicano a aliados políticos.
Questão do terrorismo
A classificação ou não das facções criminosas como grupos terroristas foi um dos principais pontos de embate entre governo e oposição no Brasil ao longo da tramitação do PL Antifacção, que se tornou a atual Lei Raul Jungmann.
Flávio Bolsonaro e aliados defenderam que o enquadramento seria mais realista para definir grupos como o PCC e o CV, e que isso abriria espaço para ações mais robustas de enfrentamento. O governo, por outro lado, defendeu o combate ao crime organizado a partir do aparato de inteligência e expressou temor de que uma eventual classificação como terrorismo pudesse justificar sanções de parceiros econômicos ao Brasil.
O texto final incorporou um meio-termo: o enfrentamento territorial às facções foi mantido como prioridade, mas foi criada uma classificação própria para esses grupos, fora do tipo penal de terrorismo.
Encontro com Trump
Flávio está desde o fim de semana em Washington, D.C., onde se encontrou com seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e com o blogueiro Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro também radicado nos Estados Unidos. Juntos, eles se reuniram com Donald Trump em visita extraoficial na última tarde.
O encontro ocorre pouco menos de um mês após a visita oficial entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, os dois chefes de Estado permaneceram em reunião a portas fechadas por mais de três horas, abordando questões como tarifas de importação, comércio de terras raras e parcerias na área de segurança pública.
Desde setembro de 2025, Trump mantém uma postura elogiosa tanto em relação a Lula, de quem afirmou ter sentido uma "química" durante conversas, quanto a Bolsonaro, citado por ele como um líder preocupado com o Brasil e injustiçado pelo Judiciário.
A viagem de Flávio aos Estados Unidos ocorre no momento mais crítico até então de sua pré-campanha presidencial. O senador enfrenta uma crise de imagem após uma série de vazamentos de mensagens de texto e áudio trocados entre ele e o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a quem teria pedido dinheiro para a produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018.