Durante inauguração de novo campus do Instituto Federal de Goiás nesta terça-feira (2), o presidente Lula chamou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de "imbecil", "covarde" e "pior espécie de ser humano". A declaração ocorreu em meio a críticas ao novo tarifaço proposto pelos EUA a produtos brasileiros, que, segundo Lula, foi orquestrado por Flávio.
"Todo covarde é assim. Fala a merda que fala e depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir. Ele falou. Ele foi pedir arrego: 'Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições. Não deixa, prejudica o Lula."
Lula criticou a atitude que, na sua avaliação, tem fins eleitorais, e afirmou que esse tipo de posicionamento prejudica o próprio país. "Imbecil, ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, vai prejudicar o povo brasileiro", declarou.
O presidente argumentou que medidas como aumento de tarifas impactam diretamente setores produtivos, o que inclui empresários e o agronegócio, além de afetarem a economia nacional como um todo.
Lula também acusou membros da família Bolsonaro de buscarem apoio externo para influenciar decisões internas do Brasil. "Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras", disse, ao classificar a atitude como traição.
O presidente afirmou ainda que esse tipo de comportamento representa uma tentativa de interferência política internacional com objetivos eleitorais.
"Porque depois do sucesso da minha visita ao Trump, o bolsonarismo ficou muito puto da vida. O que aconteceu? Eles foram lá conversar com Marco Rubio, porque aquela fotografia que eles tiraram com o Trump. Aquela fotografia é de campanha. Esse filho do Bolsonaro consegue ser pior do que ele. E são, na verdade, vendedores da pátria."
Em seu discurso, Lula também relembrou episódios de tensão comercial com os Estados Unidos e afirmou que contestou tecnicamente as justificativas para tarifas impostas ao Brasil. O presidente destacou que, ao contrário do argumento americano, o país possui superávit na relação comercial bilateral.
Segundo o presidente, sua estratégia tem sido baseada no diálogo e na apresentação de dados, além da diversificação de parcerias comerciais, como fortalecimento de relações com a China. "Se não quer comprar de mim, pode ficar com as suas coisas, eu vou vender para outro", afirmou.
Tiradentes
Em uma comparação histórica, Lula sugeriu que atitudes que incentivam medidas contra o Brasil se aproximam de uma postura de traição nacional e comparou Flávio a Joaquim Silvestre do Reis, delator de Tiradentes. De acordo com o presidente, ele "foi enforcado por menos".
"Esse cidadão hoje aparece e diz: 'Eu não falei nada'. Todo covarde é assim, fala a merda que fala e, por não ter coragem de assumir, fica tentando mentir."