A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu nesta terça-feira (23) a coleta do depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que apura a apreensão de uma arma registrada em seu nome. A oitiva foi conduzida pelo delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, e durou cerca de 40 minutos.
O depoimento havia sido autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou que o procedimento ocorresse presencialmente na residência do ex-presidente. Na véspera, Moraes também autorizou a ampliação do tempo de reunião entre Bolsonaro e seus advogados para preparação da oitiva.
Segundo a defesa, Bolsonaro falou por cinco minutos e manteve no depoimento a versão narrada ao STF, na qual confirmou a propriedade da arma, e que, ao observar a pane no mecanismo interno, solicitou a um dos membros de sua equipe de segurança que verificasse o dano.
A oitiva foi realizada dois dias antes do fim do prazo de permanência do ex-presidente em regime domiciliar. Na quinta-feira (25), Moraes deverá decidir se o mantém em casa durante o cumprimento da pena ou se o transfere de volta para a sala de Estado Maior do 19º Batalhão da PMDF, no Complexo da Papuda.
Arma apreendida
Na noite da última segunda-feira (16), durante a realização de uma blitz em Brasília, a Polícia Militar do Distrito Federal apreendeu uma pistola Glock G17 em posse de um sargento do Exército. A arma estava registrada no sistema da força terrestre como pertencente a Jair Bolsonaro.
A defesa do ex-presidente admitiu ao STF que a arma era dele, e que os seguranças que o acompanhavam em custódia haviam retirado uma peça para que ela ficasse inutilizável, buscando evitar acidentes enquanto Bolsonaro estivesse fazendo o uso de remédios psiquiátricos.
Ao perceber o defeito, Bolsonaro entregou a arma ao militar da sua equipe de segurança, a quem solicitou que levasse ao quartel para reparos e a devolvesse em seguida.
Segundo os advogados, a arma não foi entregue antes à polícia por não haver decisão judicial revogando seu porte, e que uma ordem nesse sentido seria prontamente acatada.
Um inquérito foi instaurado pela PCDF para averiguar a regularidade da posse da arma, bem como dos eventos citados pela defesa.