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Entre campo e plenário

Romário pode ser comentarista na Copa sem se licenciar do Senado? Veja

Sem licença do cargo, Romário mantém a titularidade do mandato e participa das atividades legislativas à distância durante o Mundial.

Congresso em Foco

22/6/2026 | Atualizado às 16:16

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Entre análises de jogos, entrevistas e comentários sobre a seleção brasileira, o senador Romário (PL-RJ) tem sido presença frequente na cobertura da Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México.

A atuação do senador do PL do Rio de Janeiro como comentarista esportivo passou a chamar atenção não apenas dos torcedores, mas também de internautas que acompanham sua trajetória política. Afinal, como ele pode passar semanas acompanhando o Mundial no exterior e, ao mesmo tempo, continuar exercendo normalmente o mandato parlamentar?

A resposta passa por uma combinação de regras do Senado, participação remota nas atividades legislativas e pela própria agenda da Casa neste período.

Diferentemente do que muitos passaram a especular nas redes sociais, Romário não pediu licença do cargo para acompanhar a competição. Oficialmente, ele segue no exercício do mandato enquanto atua paralelamente na cobertura esportiva, registrando presença e participando das atividades legislativas permitidas pelo regime semipresencial adotado pelo Senado.

A presença de Romário nos estádios da Copa provocou questionamentos sobre os limites entre a atividade parlamentar e outras profissões.

A presença de Romário nos estádios da Copa provocou questionamentos sobre os limites entre a atividade parlamentar e outras profissões.Reprodução / Youtube

Sem licença e sem suplente

Uma das hipóteses que mais circularam nas redes era a de que Romário teria se licenciado para tratar de interesses particulares, o que abriria espaço para a convocação de um suplente.

Mas não foi isso que aconteceu.

Segundo informações do Senado e da assessoria do parlamentar, Romário permanece em exercício durante todo o período da Copa. A viagem ao exterior foi comunicada formalmente à Casa como deslocamento particular, sem custos para o Senado Federal.

Como não houve afastamento do cargo, o senador continua exercendo normalmente o mandato e recebendo o subsídio parlamentar. A participação nas atividades legislativas ocorre por meio do regime semipresencial adotado pela Casa, que permite o registro de presença e a votação remota em sessões convocadas nesse formato.

A diferença é importante. Quando um senador se licencia por período prolongado, o suplente pode ser convocado para assumir temporariamente a vaga.

Foi exatamente o que ocorreu no fim de 2025, quando Romário se afastou por 120 dias para tratar de interesses particulares e o primeiro suplente da chapa, Bruno Bonetti (PL-RJ), assumiu o posto.

Desta vez, porém, não houve afastamento formal.

A cadeira continua ocupada pelo titular e o Rio de Janeiro segue representado pelos mesmos três senadores eleitos.

O próprio Senado informou que a participação remota dos parlamentares é regulamentada pelo Ato da Comissão Diretora (ATC) nº 1, de 2023, que disciplina a presença virtual em sessões e reuniões, além da votação por meio do aplicativo eletrônico utilizado pela Casa.

Como funciona o regime semipresencial

A explicação para a permanência de Romário na Copa está diretamente ligada ao modelo semipresencial adotado pelo Senado.

Criado durante a pandemia de covid-19, o sistema passou a fazer parte da rotina legislativa e permite que parlamentares participem de determinadas sessões e votações à distância.

Pelas regras da Casa, senadores podem registrar presença, votar e fazer pronunciamentos por videoconferência quando as sessões são convocadas nesse formato. A modalidade tem sido utilizada principalmente em períodos com menor volume de deliberações presenciais.

Segundo a assessoria do senador, não há sessões deliberativas presenciais previstas até o encerramento da Copa, em 19 de julho.

"O Senado não tem sessões deliberativas presenciais marcadas até o final da Copa. As votações serão de forma remota, quando e se houver sessão convocada."

Isso não significa, porém, que a presença física deixou de ser necessária. Caso haja convocação presencial, Romário estará sujeito às mesmas regras aplicadas aos demais parlamentares.

O que Romário fez no Senado durante a Copa

Mesmo acompanhando o Mundial nos Estados Unidos, o senador participou de atividades legislativas durante o torneio.

No dia 10 de junho, véspera da abertura da Copa, registrou presença em uma sessão do Senado. Na ocasião, porém, não participou da votação que confirmou a indicação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Já em 17 de junho, participou remotamente de uma sessão deliberativa por videoconferência.

Durante a reunião, discursou sobre a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, e votou o projeto de lei complementar (PLP) 73/2025, que altera a Lei de Responsabilidade Fiscal para impedir bloqueios orçamentários nas agências reguladoras.

Segundo sua assessoria, o parlamentar continuará registrando presença e participando das votações sempre que houver sessões convocadas durante o período da Copa.

A equipe também afirma que os gabinetes do senador em Brasília e no Rio de Janeiro seguem funcionando normalmente e atendendo demandas relacionadas ao mandato.

Pode ser senador e comentarista ao mesmo tempo?

A atuação simultânea de Romário como senador e comentarista esportivo ajudou a alimentar o debate nas redes.

A Constituição impõe restrições a deputados e senadores, especialmente em situações que envolvam conflito de interesses, contratos com o Poder Público ou ocupação de determinados cargos. Não existe, porém, uma proibição geral para que parlamentares exerçam atividades privadas paralelamente ao mandato.

Com base nesse entendimento, a assessoria do senador sustenta que sua participação na cobertura da Copa é compatível com o exercício do cargo. A equipe afirma ainda que Romário participa apenas de parte das transmissões relacionadas ao Mundial.

"Em relação à participação do senador como comentarista esportivo durante a Copa do Mundo, apenas em alguns jogos do Mundial, trata-se de atividade privada que é perfeitamente compatível com as atividades parlamentares. Basta ver o número de senadores e deputados que exercem outras funções em paralelo ao mandato."

A equipe também argumenta que a presença de Romário na cobertura da competição é consequência natural de sua trajetória no futebol.

"O senador Romário é tetracampeão mundial pela Seleção Brasileira e protagonista de uma das maiores conquistas da história do futebol brasileiro. Ele é naturalmente uma das personalidades mais demandadas durante as Copas do Mundo. Esta edição, em especial, está sendo realizada em parte nos Estados Unidos, país onde o Brasil conquistou o título mundial de 1994."

Ao longo dos anos, o Congresso acumulou exemplos de parlamentares que atuaram simultaneamente como empresários, médicos, advogados, professores, apresentadores de televisão e palestrantes.

Do tetracampeonato ao Senado

O senador foi um dos protagonistas da conquista do tetracampeonato mundial da seleção brasileira, em 1994, justamente nos Estados Unidos, país que volta a sediar partidas do torneio em 2026.

Eleito melhor jogador do mundo naquele ano, o ex-atacante construiu uma trajetória que o transformou em um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro antes de ingressar na política.

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