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Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após operação da PF

Parlamentar deixa um dos principais cargos da articulação política do governo no Congresso.

25/6/2026
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixará a liderança do governo no Senado após acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O anúncio foi feito nessa quarta-feira (24), menos de uma semana depois de o parlamentar ter sido alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de favorecimento ao Banco Master.

Com a saída, o Planalto terá de indicar um novo responsável pela articulação política do Executivo na Casa.

Em nota publicada nas redes sociais, Wagner afirmou que a decisão foi tomada durante reunião com Lula e disse que pretende concentrar seus esforços na defesa contra as acusações e nas eleições de 2026.

"Minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula, do governador Jerônimo Rodrigues e à minha reeleição para o Senado."

Em nota, o senador afirmou que pretende concentrar esforços na defesa e nas eleições de 2026.Reprodução / X

Até o momento, o Palácio do Planalto não informou quem assumirá a liderança do governo.

A liderança do governo no Senado é um dos principais postos da base governista no Congresso. O ocupante da função conduz negociações de interesse do Executivo, articula acordos para votação de projetos e atua como interlocutor entre o Palácio do Planalto e os senadores.

Jaques Wagner estava no cargo desde o início do atual mandato presidencial. Um dos aliados mais próximos de Lula, foi governador da Bahia por dois mandatos, ministro em diferentes governos petistas e exerce mandato de senador desde 2019.

Investigação motivou desgaste

A saída ocorre em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero.

Na última semana, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do senador, em Brasília, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação apura a suposta atuação de um agente público com foro privilegiado para beneficiar o Banco Master e empresas ligadas ao grupo financeiro.

Segundo a decisão do STF, há indícios de que vantagens teriam sido destinadas a Wagner, de forma direta ou indireta, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas relacionadas aos investigados.

A decisão também cita o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, como possível intermediário na relação.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam US$ 49 mil em espécie, relógios de luxo e aparelhos celulares.

Defesa pede anulação das buscas

Jaques Wagner nega qualquer participação em irregularidades. Na segunda-feira (22), a defesa protocolou no STF um pedido para anular a decisão que autorizou a operação.

Os advogados afirmam que a medida foi baseada em uma premissa equivocada e sustentam que o senador nunca atuou para favorecer o Banco Master.

Segundo a defesa, a única proposta apresentada por Wagner sobre o tema buscava restringir a cobrança de juros e ampliar a proteção aos consumidores, posição que, segundo os advogados, contrariava os interesses da instituição financeira.

A defesa também afirma que os valores apreendidos possuem origem lícita e serão devidamente comprovados ao Supremo.

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