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Pix, eleições e tarifas: veja ponto a ponto carta de Marco Rubio a Flávio Bolsonaro

Secretário dos EUA se mantém neutro e diz que os EUA trabalharão com "os líderes escolhidos pelo povo brasileiro".

26/6/2026
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A carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai além de um gesto diplomático formal.

O documento, datado de 23 de junho, foi enviado em resposta ao diálogo iniciado por Flávio em meio a tensões comerciais e à possível imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Marco Rubio responde a carta de Flávio Bolsonaro.Reprodução | Jefferson Rudy/Agência Senado | Arte Congresso em Foco

"Amizade" comercial

Marco Rubio inicia o contato em agradecimento à visita de Flávio a Washington e a correspondência enviada por ele anteriormente. O encontro ocorreu em 26 de maio, quando o senador se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.

O secretário de Estado diz "compartilhar" de convicção do pré-candidato sobre a relação entre os dois países estar "ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada".

O trecho reforça a tentativa do senador de se apresentar como interlocutor internacional da oposição brasileira, papel que tem buscado assumir desde o lançamento de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

Primeiro parágrafo de carta enviado por Marco Rubio a carta Flávio Bolsonaro.Reprodução | Arte Congresso em Foco

Terrorismo

No segundo bloco, a carta ganha um tom mais firme ao tratar da classificação de facções brasileiras como organizações terroristas. Rubio diz "apreciar" o apoio de Flávio à decisão e afirma que os EUA atuam para desarticular redes financeiras, de drogas e armas, que movimentam o crime.

A designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas (SDGTs) foi anunciada pelo governo de Donald Trump três dias após o encontro com Flávio em Whashington.

Flávio havia afirmado que pediu ao presidente dos EUA para enquadrar as facções em terrorismo. "Nós temos um em cada quatro brasileiros morando em áreas dominadas por facções criminosas, e nós vamos libertar essas pessoas", disse à época.

Marco Rubio destaca que a ação busca "proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano do crime organizado transnacional".

Segundo parágrafo de carta enviado por Marco Rubio a carta Flávio Bolsonaro.Reprodução | Arte Congresso em Foco

Pressão comercial e ataque ao Pix

A partir desse trecho, a carta entra no núcleo mais sensível da carta: a investigação comercial conduzida pelo USTR. Rubio menciona que práticas brasileiras são consideradas "irracionais ou discriminatórias", o que justificaria a possibilidade de sanções.

Ao detalhar áreas como comércio digital, pagamentos eletrônicos, tarifas "injustamente preferenciais", propriedade intelectual, combate a corrupção e desmatamento, o documento explicita os pontos de atrito entre os dois países.

Embora não mencione diretamente o Pix, a informação parece estar implícita no uso do termo "serviços eletrônicos de pagamento". Um aviso diplomático claro de que há divergências estruturais em curso.

Terceiro e quarto parágrafo de carta enviado por Marco Rubio a carta Flávio Bolsonaro.Reprodução | Arte Congresso em Foco

A declaração retoma o tom diplomático na sequência, quando Rubio informa sobre a audiência pública marcada para 6 de julho. O debate deve receber Flávio presencialmente. Na terça-feira (23), o pré-candidato havia confirmado seu interesse de participar. Ele consta na lista de oradores inscritos.

Eleições

Quanto ao cenário eleitoral, Rubio é mais comedido ao destacar que os EUA trabalharão com "os líderes escolhidos pelo povo brasileiro". Ao mesmo tempo, diz estar ansioso para aprofundar a parceria estratégica entre os países.

O secretário norte-americano também menciona o "otimismo" de Flávio que, segundo Rubio, ofereceu uma equipe de transição para tratar de assuntos diplomáticos, caso seja eleito.

Marco Rubio reitera que os "Estados Unidos permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável".

Final da carta enviado por Marco Rubio a carta Flávio Bolsonaro.Reprodução | Arte Congresso em Foco
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