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Defesa nega que Bolsonaro tenha atendido ligação de Alexandre Frota

Advogado diz que Bolsonaro não possui celular e classifica como "leviana" a suspeita de que teria atendido à ligação.

24/7/2026
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Uma ligação feita pelo vereador e ex-deputado federal Alexandre Frota (PDT-SP) durante uma entrevista ao vivo provocou especulações de que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria atendido à chamada. A defesa de Bolsonaro negou que o contato tenha ocorrido e afirmou que ele não tem acesso a aparelhos celulares.

O episódio aconteceu durante a participação de Frota no programa Sobremesa, da TMC, na quarta-feira (22). Durante a entrevista, ele foi incentivado pelos apresentadores a telefonar para uma pessoa com quem pudesse "fazer as pazes".

"Cara, eu não vou nem pensar muito. Tem muitas aqui, entendeu? Tem muitas que eu amo também, que eu gosto, mas eu vou aqui."

A ligação foi colocada no viva-voz. Depois de alguns segundos, uma pessoa atendeu e disse apenas "alô". A chamada foi encerrada logo em seguida, sem que Frota revelasse a identidade do interlocutor.

"Eu conheço essa voz", afirmou um dos participantes do programa. Outro apresentador declarou que a voz era conhecida, enquanto Frota reagiu: "Cara, que merda que eu fiz, mano".

Na sequência, integrantes da bancada insistiram para que o ex-deputado revelasse para quem havia telefonado. "Essa pessoa pode atender o celular?", questionou um dos apresentadores. Frota, no entanto, evitou responder e tentou mudar de assunto.

Em nenhum momento do trecho exibido no programa Frota afirmou que havia telefonado para Bolsonaro.

A suspeita surgiu a partir das reações dos participantes e de internautas que disseram ter reconhecido a voz do ex-presidente. A equipe do vereador informou que ele não se manifestaria sobre o episódio.

Defesa nega contato

Após a repercussão do vídeo, o advogado Paulo Cunha Bueno, que representa Bolsonaro, publicou uma nota no X negando que o ex-presidente tenha atendido à chamada.

Segundo ele, a suspeita teria sido provocada pela semelhança entre a voz de Bolsonaro e a do interlocutor, que se limitou a dizer "alô" antes de desligar.

"A insinuação — tão maldosa quanto teatral — decorreria da semelhança de voz do interlocutor, que limitou-se a dizer 'alô e desligar o telefone."

Defesa de Bolsonaro afirma que ex-presidente não tem acesso a celular e classifica especulação sobre ligação de Frota como "leviana".Reprodução / X

O advogado afirmou que Bolsonaro não mantém contato com Alexandre Frota há anos, "por razões mais do que públicas e notórias".

Cunha Bueno também declarou que o ex-presidente não tem acesso a celulares e que cumpre rigorosamente as limitações impostas no decreto que autorizou sua prisão domiciliar humanitária.

De acordo com a defesa, médicos, advogados, prestadores de serviços e outras pessoas autorizadas a entrar na residência são revistados e obrigados a deixar celulares, tablets, relógios inteligentes e outros dispositivos eletrônicos sob os cuidados da equipe de segurança.

As restrições impostas a Bolsonaro proíbem o uso de celulares, telefones, redes sociais ou outros meios de comunicação externa, diretamente ou por intermédio de terceiros. Visitantes também devem passar por vistoria e deixar aparelhos eletrônicos com os agentes responsáveis pela segurança.

O advogado acrescentou que uma busca e apreensão realizada recentemente no imóvel não encontrou aparelhos celulares em posse do ex-presidente.

"Qualquer ilação de que o presidente Bolsonaro atendeu alguma ligação do sr. Alexandre Frota é, portanto, leviana e nitidamente busca, só e somente, causar celeuma e trazer holofotes oportunistas."

Flávio acusa simulação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também reagiu ao episódio em uma publicação no X. Ele acusou os responsáveis pelo vídeo de simularem uma ligação com o objetivo de prejudicar seu pai.

"O baixo nível de degradação moral de algumas pessoas é surreal", escreveu.

Flávio Bolsonaro rebate especulações sobre ligação de Alexandre Frota e diz que o episódio é "revoltante e desumano".Reprodução / X

Flávio também questionou se a repercussão do vídeo poderia resultar em novas medidas contra o ex-presidente.

Para o senador, a possibilidade de uma consequência judicial demonstraria que o país não vive mais sob um Estado Democrático de Direito.

Alexandre Frota foi eleito deputado federal em 2018 pelo partido de Bolsonaro, então denominado PSL, mas rompeu politicamente com o ex-presidente durante o mandato.

Atualmente, exerce o cargo de vereador em Cotia, no interior de São Paulo.

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